Jeans para todos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
A cerimônia do Oscar com seu badalado tapete vermelho só acontece uma vez por ano, mas as estrelas hollywoodianas conseguem impor seu estilo durante todos os outros 365 dias. Não por acaso, os flagras dos papparazzi mostram para o mundo todo o que elas estão vestindo muito além dos vestidos longos e smokings formais. É no dia-a-dia (quase) básico das celebridades que elas dão dicas do que gostam mesmo de vestir (mesmo que cada detalhe seja estudado com um personal stylist).
Como a maioria dos atores é formada de americanos, da terra onde nasceu o jeans em 1853, nada mais natural que a roupa preferida seja o índigo, que já foi uniforme de trabalhadores, símbolo rebelde e hoje segue com apelo democrático. São eles que evidenciam marcas que acabam virando objetos instantâneos de desejo mundo afora. São eles que consolidaram a era do jeans premium, que levam os preços das calças às alturas e chegam a custar tanto quanto um vestido de gala.
Espertíssimo, o alemão Levi Strauss atravessou o Atlântico para vender lona para carroças e tendas aos pioneiros do oeste americano. Chegando lá teve a idéia revolucionária de transformar o resistente tecido em roupas para os mineiros, que estavam aos farrapos. Se no início era marrom, logo logo o jeans ganhou o azul índigo com uma plantinha indiana chamada Indigus. Isso foi em 1890, muito antes das lavanderias industriais que hoje desbotam, lixam e fazem outras descontruções sonhadas pelos estilistas e amadas pelos fãs de jeans.
Visionário, Strauss criou o jeans, mas nem ele poderia imaginar o burburinho em torno de uma calça no mundo inteiro. O Japão é um grande lançador de novidades no jeans enquanto matéria-prima para as grifes. Foi de lá que a Levi's importou o Nishimbo, um jeans artesanal confeccionado em tear. O Brasil tem a vantagem da modelagem mais sensual que começa a agradar americanos e europeus. Mas apesar de tanta produção verde-e-amarela, marcas importadas recém-chegadas ao País lideram a lista de desejos. A loja paulistana da italiana Diesel está entre as que mais vendem (por metro quadrado) em todo o planeta. Além dela, outras marcas premium também fazem o coração dos fashionistas bater mais rápido como a PaperDenim&Co, 7 for All Mankind e Citzen of Humanity.
Nas passarelas brasileiras, a veia democrática do índigo se mostra ainda mais acentuada na coleção outono-inverno, que atira para várias tendências ao mesmo tempo. Do suave minimalismo aos babados do vitoriano, o jeans empresta sua força para saias, calças e jaquetas. Tanto no feminino quanto no masculino. Sem distinção.
Se o preto volta consagrado às araras, a aposta da estação é no tom bem mais escuro do jeanswear. As calças justas tem um toque de rock'n'roll e casam perfeitamente com as jaquetas Perfecto revisitadas para este 2006. Mas ao mesmo tempo, os volumes dos balonês também inspiram doses generosas de tecido em bermudas bem folgadas. Até mesmo o trench-coat pode ser confeccionado em jeans e é puro glamour.


