Aquarista de longa data, Rony Suzuki tomou conhecimento dos aquários plantados há cerca de dois anos. Aos poucos foi deixando os peixes de lado para ficar apenas com as plantas. Hoje é um dos aquapaisagistas brasileiros com reconhecimento no exterior. Mas o País ainda tem poucos adeptos,
Este ano, ao participar pela primeira vez do concurso promovido pela Aqua Design Amano (ADA), ficou em 85º entre quase 800 participantes. Foi o único brasileiro inscrito. ''Uma outra brasileira se inscreveu, mas como ela mora no Japão, entenderam que a inscrição era japonesa'', explica Suzuki.
Por se tratar de uma seleção organizada pelo japonês Takashi Amano, o concurso é considerado o mais disputadp de todos. Ídolo dos aquapaisagistas, segundo o londrinense, Amano foi o precursor da atual linha de aquários plantados. Até 12 anos atrás, antes do surgimento do japonês, o chamado aquário holandês ditava as regras na técnica em que só se podia usar plantas. ''A revolução de Amano foi transportar paisagens para o aquário'', explica Suzuki.
Agora, os aquapaisagistas podem ficar à vontade para usar troncos e rochas e criar seus jardins submersos. No estilo biótopo, de acordo com Rony Suzuki, é levada em conta a fidelidade na reprodução de um rio ou lago. Depois de muito estudar o Rio Sucuri, em Bonito (MS), o aquapaisagista conquistou o primeiro lugar na categoria biótopo de um concurso no ano passado.
O mundo dos aquários plantados tem dois estilos distintos, divididos entre o bloco ocidental e o bloco oriental. Não por acaso na seleção da ADA, cerca de 80% dos participantes eram orientais. O primeiro lugar ficou para um coreano, seguido por muitos, muitos japoneses. Para Suzuki, essa participação em massa dos asiáticos eleva o grau de dificuldade do concurso, e mostra as fotos dos participantes para justificar seu favorito, ''porque se você não souber que é um aquário pode pensar, tranquilamente, que é uma foto de montanhas'', explica.
A participação dos brasileiros no aquapaisagismo ainda é pequena dado o número restrito de seguidores. Mas também é das mais criativas já que vive inventando soluções para suprir necessidades. Por ter poucos aquapaisagistas, há a falta de interesse comercial de fábricas de produtos específicos para a área. É o caso dos fertilizantes produzidos por empresas estrangeiras que não estão à venda no Brasil. Depois de muitas pesquisas, um colega de Suzuki, do interior de São Paulo, surgiu com o humus de minhoca como nova modalidade de adubo.
Para receber plantas importadas os aquapaisagistas apelam para a boa vontade de amigos que moram no exterior ou que viajam para fora. ''As plantas resistem à viagem, mas não podem ficar na dependência de serem enviadas pelo correio, por exemplo'', ensina o londrinense. A Dinamarca é hoje a maior fornecedora de plantas aquáticas do mundo. ''Dá para acreditar com todo aquele frio?'', diz Suzuki.
Como o acesso às plantas do exterior é complicado, os brasileiros utilizam um recurso que fazia a diversão de crianças de outrora, trocar figurinhas. No caso, plantas diferentes. Graças à Internet, os aquapaisagistas daqui já formaram uma rede de troca de informações e plantas. ''Os sábados são dedicados à isso'', conta o londrinense, que já conta com alguns clientes na cidade.
''Quem opta pelo aquário plantado não volta para o tradicional'', garante. Mais caro que o aquário de peixes, o plantado ainda é mais barato que o marinho. A manutenção também é diferenciada. Além da troca semanal de água, o aquapaisagista também precisa fazer podas regulares e tomar cuidado com o gás carbônico, essencial num aquário plantado.
Peixes como o ''limpa-vidros'' também são fundamentais na manutenção, já que o acúmulo de algas é grande. Peixes comedores de plantas, é claro, estão fora de cogitação, assim como os de porte médio e grande. Na verdade, os peixes são meros coadjuvantes nessa história toda. n

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