Sansey em japonês significa terceira geração e na prática são os netos dos primeiros imigrantes vindos do Japão. Há cerca de 20 anos, os sanseis eram a maioria jovem entre os descendentes. Hoje já se vê a quinta geração crescendo e aparecendo. Duas décadas atrás, um grupo da então adolescente terceira geração resolveu se unir e formar o Grupo Sansey. A liga que os unia era a música - todos eram alunos de karaokê da professora Mity Shiroma. ''Queríamos divulgar e preservar a cultura japonesa'', lembra o arquiteto Claudio Shizuo Furukawa, um dos fundadores e ainda membro atuante. É dele a assinatura do prédio onde o grupo se reúne e ensaia.
A música segue norteando os passos do grupo, mas há alguns anos ela vem sendo acompanhada de passos coreografados. Entre uma reunião e outra os participantes foram percebendo uma novidade aqui, outra ali e acabaram dando visibilidade a um jeito todo novo de interagir com a comunidade. Do princípio do Bon Odori - dança tradicional acompanhada de tambores e vozes - à evolução do ritmo, nasceu o Matsuri Dance. ''Começaram a chamar de Bon Odori moderno, mas não era um nome bonito nem era essa a proposta'', explica Mirian Tsuchiya, que participou da rodada de idéias para um novo nome para o que hoje virou sensação das festas nipônicas.
Inspirado nos passos do Bon Odori tradicional, o Matsuri Dance atraiu primeiro os jovens por estar em sintonia com as novidades da música pop japonesa. Além disso, ainda é acompanhado por taikos e vozes ao vivo. E todas as músicas apresentadas no Matsuri Dance têm coreografias diferenciadas. Mirian Tsuchiya, Aline Kashinoki e Michelle Ekuni formam o trio de coreógrafas do Grupo. São elas também que se transformam em professoras (uma é bióloga, a outra é arquiteta e a terceira é fisioterapeuta) duas vezes por semana para as aulas e ensaios.
Além do Matsuri Dance, o Sansey tem se especializado nos últimos anos num estilo de dança vindo do Japão, o Yosakoi Soran (que abre a programação do Londrina Matsuri hoje, às 18h30). O público londrinense poderá assistir em primeira mão a apresentação que rendeu ao Grupo o bicampeonato brasileiro este ano. A pré-estréia aconteceu no lançamento do festival, no início do mês. O figurino caprichado com quimonos acetinados, sombrinhas e leques é apenas um dos detalhes cuidadosamente estudados da apresentação.
Quando apareceu, o Matsuri Dance assustou os puristas. ''Achavam que estávamos desvirtuando o tradicional'', lembram as coreógrafas. Mas há tempos que o novo ritmo ganhou a aceitação geral. Tanto que a dança deve figurar entre os destaques do Imin 100, que acontecerá em 2008 e irá celebrar o centenário da imigração japonesa no Brasil. ''Os passos são fáceis de seguir e podem participar pessoas de todas as idades'', contam.
Com cerca de 130 participantes, o Grupo Sansey nasceu e segue com caráter beneficente e filantrópico. O trabalho voluntário em prol da comunidade é peça-chave. Entre as atividades mais valorizadas estão as visitas a asilos da região. Além das apresentações de dança e canto, os integrantes também levam lanche - com quitutes da culinária japonesa - e compartilham com os idosos.
No outro extremo, a preocupação com os jovens também é constante. ''As letras das músicas são saudáveis'', explica Shizuo. Mesmo que boa parte do público não entenda uma palavra do que está sendo cantado, todas as letras passam pela aprovação. Alto-astral e amizade são requisitos básicos.
Budista desde o nascimento, Diego de Souza se destaca nas apresentações do Grupo do qual participa há um ano e três meses. Ele é mais alto, mais moreno e sequer tem os olhos puxados mas não se sente um ''estranho no ninho'' por ter sido bem recebido. ''O requisito para participar do Grupo é querer trabalhar'', conta Furukawa.

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