Conversar sobre a Páscoa com a pequena Adrielle Pais, 3 anos, é como ter uma aula fantástica das artimanhas do coelhinho para conseguir entregar os ovos. ''Eu sou amiga dele, já fomos ao cinema juntos. O coelhinho é branco e maior do que um coelho comum. Ele é grande para poder carregar os ovos todos e sabe o que cada criança quer por mágica. Ele descobre aquilo que a gente quer ganhar'', garante.
Tanta confiança no que diz Adrielle, possivelmente vem da fantasia que a mãe, a vendedora Alessandra Pais, 24 anos, cria para a menina. Todos os anos, a casa é enfeitada com pegadas de coelho que levam Adrielle até onde está escondido o ovo de chocolate. ''Ela acredita mesmo que coelhinho existe. No ano passado, fizemos as patinhas pela casa com pó de café para quando ela acordasse, e ela até ficou preocupada porque ele tinha sujado o chão. Quando vamos ao mercado, ela pergunta porque existem ovos para vender e porque as pessoas compram ao invés de esperar pelo coelhinho'', revela a mãe.
Para as perguntas difíceis da filha, Alessandra sempre tem uma resposta convincente para manter a história. ''Meus pais faziam isso para mim e eu acho importante manter a tradição. Com tanta informação na tevê e na internet, as crianças estão ficando afastadas da fantasia. Elas não acreditam em mais nada, assim como os adultos. Acho legal ter isso durante a infância'', explica.
Para manter a fantasia da visita noturna do coelhinho, Alessandra tem a seu favor o hábito de a filha acordar tarde. ''Eu levanto cedo e tenho tempo de arrumar tudo. Ano passado estávamos na casa da minha mãe em Foz do Iguaçu e mesmo assim montei o 'cenário', afirma. Na versão de Adrielle, ''o coelhinho foi até a casa da minha avó porque ele me viu saindo de Londrina e me seguiu até lá para levar meu ovo'', explica.
Além da tradição de ganhar ovos de chocolate, Adrielle já entende um pouco a história religiosa da data, contada na escola. ''A professora falou que, na Páscoa, Jesus Cristo ressuscitou. Aí, ela chegou em casa dizendo que o avô, que já faleceu, vai voltar na Páscoa'', lembra Alessandra. (H.F.)

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