Irmãos e cia
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Karla Matida 
Imagine a cena: é final de semana e o corre-corre para sair e se divertir é grande na casa. As irmãs se arrumam em frente ao espelho e os irmãos escolhem as roupas no quarto. Quando tudo estiver pronto, saem todos juntos. Apenas um sonho de pais zelosos que adorariam ver os filhos como os melhores amigos do mundo? E que tal se os irmãos, tão amigos, têm amizades em comum, dividindo a mesma turma?
Nada disso é sonho para os pais de Karina, 26 anos, e Karla Bonalumi, 25 anos, que desde pequenas se acostumaram a estar sempre juntas. Mesmo um ano e nove meses de diferença entre as duas não foi obstáculo para a fraternal convivência das irmãs. Fazíamos balé, inglês e natação juntas, contam as irmãs, que durante a infância também usavam roupas iguais e hoje se ajudam na hora de comprar novas roupas.
Paulo WolfgangOs gêmeos Jorge e Marco Palumbo: mesmos amigos desde a infânciaMinhas amigas eram mais velhas porque eram da idade da Karina, lembra Karla. Hoje a história é diferente, as amigas da turma têm a idade da Karla. A Karina é mais namoradeira, conta Karla. O que não impede as duas de saírem juntas, com ou sem namorado na jogada. Os namorados acabam entrando na onda, garantem as irmãs, explicando que aí os amigos dos namorados também entram para a turma.
Nós somos superdiferentes. Uma é prática, a outra é coração mole, explicam. Mas isso só ajuda na amizade de ambas. Eu sou o coração e ela é a razão, diz Karina. E por isso se dizem mais amigas entre si, do que com as outras amigas. E uma completa a outra, trocando confidências até altas madrugadas.
Quem também acredita na história de um completar o outro são os irmãos Marco e Jorge Palumbo, 28 anos, que continuam hoje uma amizade que começou no berço. Sem exageros. Os gêmeos só não estiveram na mesma classe, no primeiro ano primário, por indicação de uma psicóloga. Mas a situação foi logo revertida no ano seguinte, por vontade dos irmãos, que foram levando a vida escolar juntos até a faculdade. Mas não tem essa de apresentar os amigos da faculdade para o irmão, porque a maioria dos nossos amigos vem da infância, explicam.
Na união dos irmãos, o fato de sermos gêmeos é marcante, dizem. Por isso mesmo, se um dos dois briga com um amigo, a briga é em dobro, garantem. O outro também se afasta porque fica chato, conta Jorge. Mas o círculo grande de amizades acaba fazendo com que as brigas não aconteçam com frequência. Mesmo entre os dois, as brigas são raras. Depois de uma certa idade, não brigamos mais, enfatizam, lembrando a maturidade depois dos 18 anos.
A interdependência entre nós é forte, garantem Marco e Jorge, que costumam dividir, além dos amigos, roupas e sapatos. Só as namoradas não entram na história da divisão. Mas, mesmo assim, elas têm que passar pela aprovação do outro, brinca Marco. Os gostos são os mesmos e a gente se diverte com as mesmas coisas, nos mesmos lugares, afirma Marco, que se diz superprotetor com o irmão.


