Conferir e-mails, baixar músicas da internet, compartilhar fotos e falar ao telefone celular. Essa rotina digital, geralmente conferida à adultos, agora caiu na onda da garotada.
  Mais conectadas do que nunca, as crianças de hoje aprendem com facilidade as façanhas tecnológicas e cada vez mais se sentem atraídas pela multifuncionalidade dos acessórios.
  Ipod, Mp3 Player, iphone. A variedade é tamanha que chega a confundir os adultos, mas não os ‘‘jovens antenados’’, como as amigas Taminy Youssef e Gabriela Stoppe, de 14 anos. Elas garantem que os acessórios são extremamente necessários e, portanto, não desgrudam deles. ‘‘Faço pesquisa na internet, marco os compromissos da escola, escuto música e ainda falo com meus pais quando preciso’’, justifica Taminy, ao mostrar seu iphone.
  Mas se elas não se desgrudam dos aparelhos, na escola, como fica? Para a diretora Márcia Kobayashi, da St. James’ Internacional School, as regras são bem claras. ‘‘Buscamos posicionar sempre o bom senso. Não proibimos, mas também não permitimos o uso em sala de aula. A St. James’ procura trabalhar o uso consciente com os alunos’’, explica.
  E mesmo sendo ‘‘liberados’’ somente no intervalo, os estudantes ficam sob constante vigilância. ‘‘Sempre há um monitoramento, até porque a gente não quer que o aluno se isole’’, afirma Márcia, que estimula a evolução da tecnologia em prol da educação, mas defende principalmente o papel do educador. ‘‘A tecnologia jamais vai tirar o espaço e a função do professor. Aluno só vai aprender a ler, escrever e interpretar com o caderno, o lápis e o livro’’, ressalta.
  O mesmo posicionamento é tomado no Colégio Universitário. Segundo a coordenadora do Fundamental 2 (de 4ªà 7ªsérie), Carla Rocco, os eletrônicos são usados por praticamente 100% dos alunos. ‘‘Nós entendemos que o uso de tantos acessórios tecnológicos não é uma necessidade de aprendizado e, sim, social. Portanto, dentro da sala de aula o uso é proibido’’, diz.
  O regulamento também é bem claro: caso o aluno seja flagrado, os aparelhos são recolhidos e só podem ser retirados na presença dos responsáveis. Nesse caso, é melhor não arriscar, até porque o aluno João Gabriel Dellaroza, de 12 anos, confessa que não conseguiria ficar sem o ipod e o celular.
  ‘‘A tecnologia é muito interessante e se renova rapidamente. A cada hora tem algo novo para aprender e isso desperta muita curiosidade’’, justifica ele, que garante obedecer os limites impostos pela mãe. ‘‘Ela me deixa ficar no computador só uma hora por dia e também não gosta quando fico muito tempo no celular ou com o fone no ouvido’’, diz.
  E ‘‘ai’’ de quem não obedecer. A própria aluna Giorgia Marrone, de 12 anos, diz que está aprendendo na marra a ficar sem o iphone. ‘‘Faz dois meses que minha mãe cortou e está difícil, pois eu escutava música e acessava a internet só através dele’’, lamenta.
  Esse turbilhão de estímulos que atingem o cérebro infantil também carrega pontos negativos, uma vez que eles não substituem a relação pessoal. Porém, ainda é cedo para saber se essa inserção precoce no mundo digital contribuirá mais positivamente ou negativamente na fase adulta.
  Apenas uma coisa é certa: se por um lado a tecnologia estimula a criatividade e permite que as crianças se relacionem virtualmente com diversas culturas, por outro, pode transformá-las em pessoas introspectivas ou até mesmo sem um conhecimento cultural e intelectual mais profundo.

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