Investimento viável?
Segundo o supervisor regional do Dieese, Cid Cordeiro Silva, esta pesquisa conjunta levantou aspectos muito genéricos e a referência é uma casa de família classe média. Neste caso, há todo um investimento no filho. Isso aumenta a crise da classe média que já está sofrendo restrição de rendimentos, como o aumento da alíquota de Imposto de Renda de 25 para 27,5, reduzindo os ganhos desse segmento social. Na opinião de Silva, os pais dessa criança estão sendo alvejados por um outro fator: o aumento do desemprego. Na região metropolitana de Curitiba, o desemprego aumentou de 9,45, índice de 1994, para 14%, em outubro de 97. Apesar de o desemprego atingir mais pessoas com menor grau de instrução, esta família terá grande dificuldade para colocar o filho, depois de formado, no mercado de trabalho.
Segundo o representante do Dieese, neste caso específico, depois de 17 anos de criação de um filho, o retorno financeiro para a família, geralmente, é menor que o investimento. O jovem nem sempre vai receber um salário a altura do que gastou em educação.Mas ainda é melhor do que se não houvesse investido em estudos porque, quando este jovem vai para o mercado de trabalho já com poucas facilidades, a situação se agrava se ele não tiver boa formação escolar que, sem dúvida, cria mais oportunidades.
O preço de um filho no Brasil, segundo nossa pesquisa, fica próximo ao de uma criança americana, mas será que o padrão é o mesmo? Para Silva, o padrão é bem diferente porque para esta mesma família classe média, os gastos são mais com qualidade do que com quantidade. Por exemplo, os americanoss gastam muito menos em roupas industrializadas, em livros, em habitação e serviços como água, luz, televisão. Logo, podem investir mais em conforto e informação. A mesma criança, caso tivesse conforto, segurança e algumas regalias como a de uma americana, custaria ainda mais para a família brasileira. Os americanos gastam mais em estudos, não se pode comparar, mas o custo de vida da família como um todo acaba sendo menor. Aqui, as prestações de casa própria e as tarifas públicas, por exemplo, têm juros e aumentos altíssimos comparando-se àquelas que pagam os americanos, diz Silva. C.A.A.





