Inverno com o frescor do novo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de fevereiro de 2008
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Não, não se viram grandes mudanças nas silhuetas durante a 24 edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), já que a cintura alta e os volumes vêm fazendo parte do dia-a-dia fashion dos brasileiros há algumas temporadas. Mas mesmo assim, depois de 40 desfiles, o saldo é pra lá de positivo para o Inverno 2008, que vai ser recheado de novidades graças à criatividade dos estilistas nacionais.
O perfume country, mesmo que sutil, dá o tom às novidades das próximas estações. Bem trabalhada nas mãos geniais de Alexandre Herchcovitch, Marcelo Sommer e Reinaldo Lourenço, o country-chic passa pelas botas (aliás, foi uma delas que acabou inspirando toda a coleção de Lourenço), pelos arabescos tão característicos das camisas dos caubóis e até mesmo as franjas.
Pêlos, peles, texturas e pontos largos dos tricôs tomam o lugar das estampas nos dias mais frios. Se já vivemos dias frios em pleno janeiro, o que será das semanas invernais? Frio ainda mais rigoroso ou um verão fora de hora? Para a turma fashion as duas possibilidades serão benvindas e com um batalhão de peças na retaguarda. Preparados para o inverno tropicaliente, as grifes nucna se arriscam com tecidos muito pesados. Aliás, a tecnologia é parceira inseparável sugerindo sempre tecidos cada vez mais inteligentes.
No quesito pernas à mostra, a minissaia godê e a saia lápis dividem as atenções como os destaques da temporada. Os balonês, surpreendentemente, continuam dando o ar da graça em coleções que não economizam nos volumes. As calças pantalonas ensaiam com firmeza um retorno. Não por acaso os anos 1970 foram a década inspiradora da estação, mas também com muita sutileza.
Ainda na linha country, o xadrez aparece com muita força em quase todos os desfiles. As cores são as mais variadas, apesar do outono-inverno ser dos tons escuros com o preto dominando a cena. Mas nada de dias sombrios pela frente. Detalhes como turquesa e laranja acendem as produções invernais.
Reconstrução parece ser a palavra-chave da vez com peças de roupas sendo descontruídas e ganhando um novo olhar. A grife Maria Bonita, por exemplo, pegou um cardigã tradicional e o transformou em várias outras roupas como vestidos e saias. A terceira manga surge como um cachecol divertido, assim como os fofos ''cachetoys'' (cachecol com toy art) da 2nd Floor.
Pescoços bem protegidos são uma das deliciosas apostas seja com golas generosas como as da Osklen, que cria o surf urbano para a mais cosmopolita das grifes nacionais. As listras que estão em todas as peças lembram os riscos das luzes dos carros por metrópoles como Tóquio e Nova York, por onde o estilista Oskar Metsavaht tem passado levando as suas criações bacanérrimas.
E por falar em grandes cidades e reconstruções, o desfile da Cavalera às margens do poluído Rio Tietê serve como lembrete para que todos cuidem do que é nosso, as águas, a terra, o planeta. Algumas roupas surgem recicladas de coleções passadas outras aparecem mutantes como a camisa de várias mangas. Bom humor não pode faltar nunca.
A temporada teve a dança das cadeiras nos bastidores. A Zoomp elegeu Alexandre Herchcovitch como diretor de estilo e fez um revival encantador de uma das marcas brasileiras mais expressivas das últimas três décadas. Para o lugar que Herchcovitch ocupava na Cori foram chamados Dudu Bertholini e Rita Comparato, da Neon. A Animale, que desfilava no Rio de Janeiro, trocou a praia pela capital paulistana e fez uma estréia em grande estilo com a número 1 Raquel Zimmerman.
As novidades começam a desembarcar nas lojas a partir de março.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento


