Intoxicação alimentar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Jossânia Navolar 
Não comer qualquer coisa em qualquer lugar e procurar saber sempre a procedência dos alimentos é uma das regras básicas para evitar problemas relativos à alimentação. A intoxicação alimentar é um problema comum e acontece em duas situações: quando o indivíduo ingere uma bactéria que produz toxinas, agredindo principalmente o intestino delgado, ou quando ele ingere uma bactéria invasiva que agride diretamente o intestino grosso. No primeiro caso, os sintomas são diarréia aquosa e abundante. Algumas vezes podem ocorrer cólica abdominal e vômito e, normalmente, não há sinal de febre. No segundo caso, o indivíduo tem diarréia frequente, mas em pequena quantidade, acompanhada de muco (catarro) e/ou sangue, normalmente com febre alta.
Segundo o médico gastroenterologista Sérgio Ricardo Spinosa, os dois tipos de intoxicação alimentar são mais críticos quando ocorrem na criança e no idoso. E serão mais problemáticos ou não dependendo das condições imunológicas do indivíduo e da agressividade das bactérias, sendo que a do tipo invasivo, que ataca o intestino grosso, pode até ser fatal. Já no adulto saudável, a doença é bem mais tolerada . diz.
O médico explica que o alimento contaminado nem sempre apresenta cheiro ou aparência de estragado, basta que ele tenha sido manuseado sem os cuidados devidos. Eventualmente, a intoxicação também pode ocorrer em função do contato com uma pessoa contaminada. Um exemplo de bactéria de fácil contágio é a salmonella, relata. Frutas e legumes mal-lavados, carne, leite e derivados manipulados sem higiene, maionese e glacê de bolo, entre outros, são alguns dos alimentos que costumam apresentar um grande índice de contaminação. O quadro clínico da doença varia dependendo da bactéria. Ele pode ser imediato, acontecer uma hora depois de o indivíduo ingerir o alimento. Em alguns casos pode demorar até uma semana para se desenvolver.
O tratamento é mais sintomático - o medicamento vai tratar principalmente cólicas e vômitos. O uso de antibiótico, a hidratação parental (na veia) e a internação também são recursos usados nos casos mais graves. Normalmente não receitamos medicamentos para cortar a diarréia, algumas pessoas costumam tomar por conta própria, o que é um erro. A diarréia é um mecanismo de limpeza utilizado pelo organismo, cortá-la pode agravar o quadro, alerta o médico.


