Intolerância alimentar exige atenção na escola
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Glúten, lactose, açúcar... são cada vez mais comuns os casos de intolerância a esses alimentos. Para um adulto é mais fácil fazer o controle do que se ingere, mas para as crianças a tarefa pode ser bem difícil. Passando boa parte do dia na escola, como garantir que elas se alimentem de forma adequada e ao mesmo tempo não se sintam diferentes dos coleguinhas?
Com uma grave alergia a banana, a pequena Ana Beatriz, de 3 anos, pode ter um choque anafilático se ingerir a fruta. Na hora de escolher a escola da filha, a enfermeira Emanuelli Marcelino de Almeida se pautou, principalmente, no compromisso da instituição educacional em garantir socorro imediato à menina em caso de algum acidente, além do cuidado para que ela não coma banana.
"Parece simples porque na teoria é só não deixá-la comer a fruta, mas muitos sucos, balas, iogurtes, bolos e bolachas contêm banana na composição, então precisamos estar atentos aos rótulos. Ela já sabe que não pode comer e sempre pergunta antes, mas queríamos a garantia de que os professores estariam atentos ao que ela come lá e que alguém saiba aplicar a injeção de adrenalina, fundamental para que ela tenha tempo de ser levada a um hospital. Inclusive deixamos um kit com o medicamento lá", explica.
Os lanches de Ana Beatriz são preparados na escola, por uma nutricionista terceirizada que oferece o serviço aos pais. Emanuelli explica que optou por esse tipo de merenda para que a menina tenha uma alimentação mais equilibrada e porque a profissional tem o cuidado de não haver contaminação quando prepara o lanche dos outros alunos. "Não queria que minha filha se sentisse excluída das outras crianças, por isso se tem uma festinha de aniversário, ela pode comer junto com todos. Os professores ficam atentos se há algum alimento proibido e até agora tem dado certo", diz.
URTICÁRIA
A professora Carolina Yanes Soares Manganaro também precisa tomar muito cuidado com a alimentação do filho João Pedro, de 2. Alérgico à proteína do leite, o garoto apresenta urticária e também corre o risco de ter um choque anafilático, caso coma qualquer coisa com o alimento. "Aprendi com a nutricionista a ler rótulos, porque a proteína pode vir com vários nomes. E descobri que produtos que nem imaginava têm leite na composição, como os embutidos salsicha, linguiça -, temperos prontos e macarrão instantâneo", conta.
A mãe conta que na primeira escola que frequentou, aos 11 meses, João comia o lanche fornecido no local, mas depois ela optou por mandar a merenda de casa, com medo de haver contaminação no preparo. "Não posso esquentar um pão para ele em uma chapa que fiz um pão com queijo e em casa temos tudo separado."
Carolina também se preocupa com que o filho participe das atividades escolares, por isso, quando há alguma festinha na escola, ela é avisada sobre o cardápio e prepara para o menino uma marmitinha especial. "Ele sabe que não pode pedir o lanche das outras crianças, mas às vezes escapa. Por isso é importante que os professores estejam atentos se ele começa a ter urticária ou a inchar", ressalta.




