O verão é época propícia para a infecção pela cândida, um fungo que faz parte da flora vaginal, mas só se desenvolve se houver fatores predisponentes, originando a candidíase. Ficar muito tempo com biquíni molhado é uma das formas de contágio, pois a região fica quente e úmida, condições ideais para a proliferação dos fungos.
Outros fatores locais que contribuem para o desenvolvimento da candidíase são calças apertadas, tecidos sintéticos e calcinhas de nailon. ‘‘As estatísticas mostram que a candidíase é a segunda causa, em geral, do corrimento vaginal. No Brasil, 75% a 80% das mulheres em idade fértil já tiveram um episódio de cândida. E cerca de três em cada quatro ou cinco têm um segundo episódio’’, contabiliza a médica ginecologista Liliana Garcia Spironelli.
De acordo com ela, o problema pode ser causado também por alterações metabólicas, já que a cândida se aproveita do desiquílibrio do organismo. Problemas como diabetes, uremia (aumento da uréia no sangue), Aids, câncer e doenças auto-imunes podem desencadear a candidíase. A gravidez, a grande frequência de relações sexuais e o uso do DIU são outros fatores que predispõem à doença, além do uso de medicamentos como antibióticos, imunosupressores, quimioterapia e radioterapia’’, informa a médica.
‘‘Muita gente pensa que a candidíase é transmitida sexualmente. Não é. Por isso, não se trata os parceiros’’, esclarece Liliana. Os principais sintomas são ardência, desconforto ao urinar, corrimento e até assaduras. Para detectar o problema são feitos exames ginecológicos, bacteroscopia e, em casos de recorrência, cultura para precisar o tipo de cândida. ‘‘Cerca de 85% a 90% dos casos são do tipo albicans. Mas há também os tipos tropicallis e glabrata’’, explica.
Segundo a ginecologista, o tratamento geralmente é local, feito com cremes vaginais durante sete dias ou óvulos de dose única. ‘‘Em casos de recorrência ou segunda infestação, trata-se por via oral porque pode haver algum foco em outra região do organismo’’, observa. A falta de hormônio durante o climatério também pode propiciar o desenvolvimento da cândida, pois as paredes vaginais se tornam atróficas e sem defesa.

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