Internet, o novo pesadelo dos pais
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quinta-feira, 07 de outubro de 2004
Daniela Tófoli<br> Agência Estado 
Primeiro foi a TV a assustar os pais, desafiando-os a controlar a programação. Depois, os videogames apareceram com outro problema: como fazer com que os pequenos não passassem o dia todo em frente à tela. Agora, é a internet que tira o sono de muitas famílias em busca de uma fórmula para evitar que suas crianças não caiam em sites impróprios para a idade.
Controlar os filhos na era digital não é tarefa simples e exige supervisão quase constante. Na casa de Ivone Moreno Ferreira, 35 anos, Rafaela, 10, Renato, 7, e Paula, 5, têm hora certa para a TV e a internet. ''Controlo tudo o que vêem porque sei que há muita porcaria por aí'', diz a mãe.
A regra é simples: de manhã, os programas infantis estão liberados mas as novelas em qualquer horário são proibidas. ''Eles não têm idade para assistir isso e, mesmo com os desenhos, fico de olho porque até neles há violência demais.'' Documentários são permitidos quando falam sobre a natureza e vetados se abordam temas de adultos. ''O difícil é controlar as propagandas porque criança pede tudo o que vê.''
Ela acredita que é preciso melhorar a programação. ''Acho que a televisão pode ser educativa, mas ainda são raras as atrações que têm essa preocupação.'' Com o computador, a relação é mais tranquila. ''Eles não têm muita paciência, então não ficam na frente da tela mais do que alguns minutos. Ainda bem.''
Desafio Transformar toda essa tecnologia em aliada é o grande desafio das famílias, acredita a psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia e Informática da PUC. ''É inevitável que as crianças tenham contato com essas ferramentas do mundo moderno. Então, o melhor é orientar e acompanhar seu uso, não apenas proibir'', diz. ''Já houve uma época em que a calculadora era a grande vilã porque os adultos achavam que nunca mais as crianças iam aprender tabuada.''
Bom senso A TV e o computador, assim como a calculadora e o livro, podem ser bem ou mal utilizados. ''Tudo depende do que é feito com eles. Se forem usados de forma construtiva, a criança pode descobrir novos mundos e ampliar o horizonte.'' O perigo, alerta, é quando os pais se acomodam e permitem que esses objetos se tornem babás eletrônicas. ''Deixar o filho horas na frente de uma tela só para ter sossego é um erro grave porque os pequenos não têm maturidade para selecionar o que vêem.''
Rosa Maria acredita que dá para vencer o ''inimigo''. ''Combinar regras é uma boa saída, desde que o pai saiba o que está proibindo'', ensina. ''Para isso, ele tem de navegar na internet e de assistir desenho junto com o filho.'' Pais e professores que tenham dúvidas de como usar essas tecnologias com as crianças podem mandar suas perguntas para o e-mail [email protected]. n


