Da Redação
Depois de sete anos de estudo e trabalho, o estilista curitibano Jefferson Kulig realizou seu primeiro desfile. Foi no final do mês passado, na Casa Rhodia, em São Paulo. Ao apresentar seu verão 2000, ele propõe uma leitura visual muito particular do mundo, e observa a moda na sua relação com diferentes linguagens: arquitetura, design, tecnologia, artes plásticas, fotografia. A coleção é, acima de tudo, um desdobramento intelectual.
Em tempos de interatividade, Jefferson oferece a chance do usuário intervir nas peças, cortando-as a seu gosto. É a relação entre roupa e personalidade mostrada de forma literal. A modelagem mantém uma ligação entre frente e costas através de golas, mangas e ombros, muitas vezes dispensando costuras. As peças são cortadas no fio; vestidos, saias e regatas são desenvolvidas a partir de uma estrutura de calça. A intenção é fundir o rígido com o maleável, diluindo diferenças. Entre os materiais, borracha, espuma, tafetá papel e elástico.
A cor não foi uma necessidade do estilista. Azul-claro, branco, creme, caramelo e vermelho são apenas ‘‘reflexos de luz’’ incorporados durante o processo de criação. Na tentativa de se abster de rótulos, referências internacionais e associações a épocas ou estilos, ele revela a pretensão de modificar por um instante o olhar de quem observa. Uma proposta mais do que bem-vinda para a moda brasileira.Na sua coleção verão 2000, o estilista curitibano Jefferson Kulig oferece a chance do usuário intervir nas peças, cortando-as a seu modo
Fotos: divulgaçãoBlusa com mangas interiças e sugestões para o corte: comprimento ao gosto do usuárioCores são ‘‘reflexos de luz’’ incorporados durante o processo de criaçãoA moda como construção: desdobramento intelectual

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