Apesar dos avanços da medicina na prevenção da osteoporose, doença grave, tipicamente feminina e sem cura, o futuro da mulher continua frágil nessa área – existem 200 milhões de doentes no mundo, 10 milhões no Brasil. Sabe-se que a partir dos 45/50 anos, o corpo feminino começa a sofrer com as perdas hormonais causadas pela menopausa, caracterizada pelo fim do fluxo menstrual. Para muitas mulheres, isso é um alívio; para outras, uma tragédia, pois representa o fim do período fértil e, em muitos casos, a perda da libido.
A falência dos ovários e a redução de hormônios sexuais femininos causa vários transtornos, desde os mais simples, como ondas de calor e perda de energia, até os mais graves, como doenças cardiovasculares. No entanto, a tragédia maior está na osteoporose, doença que, silenciosamente, pode se instalar no corpo da mulher, minando toda a sua estrutura óssea, ao ponto de os ossos se quebrarem facilmente. Os homens também não escapam desse mal, no entanto, a doença atinge quatro vezes mais as mulheres.
Sem controle Um estudo internacional, apresentado recentemente no Congresso Mundial de Osteoporose, revelou que a falta de controle sobre a doença acontece, principalmente, pelo fato de a perda óssea não estar sendo detectada no início, quando ainda resta tempo para proteger as mulheres, na fase pós-menopausa, de fraturas associadas à osteoporose. Os dados do levantamento, apresentados no relatório ‘‘Quão frágil é o futuro da mulher?’’, demonstram que, embora os médicos conheçam a importância de prevenir a primeira fratura em mulheres na pós-menopausa, existem barreiras significativas que limitam a sua capacidade de intervir a tempo.
A falta de comunicação entre médico e paciente é uma delas, e acontece devido a pouca compreensão das mulheres sobre os riscos implicados pela osteoporose. Segundo o levantamento médico, a doença atinge de 30% a 40% das mulheres na pós-menopausa. Entretanto, 85% das 559 entrevistadas para o estudo, não acreditavam no risco de desenvolver a doença. Entre as pacientes portadoras de osteoporose, a situação é ainda mais preocupante, pois 80% delas declararam não conhecer os fatores para a doença antes do diagnóstico. E um terço dessas mulheres não tomava nenhum medicamento para prevenir as fraturas decorrentes da doença.
As fraturas foram apontadas pelo estudo como a consequência mais grave da osteoporose, pois geram um impacto muito negativo no dia-a-dia das mulheres. Cabe lembrar que, no mundo, há mais casos de internações de mulheres com mais de 45 anos decorrentes de fraturas causadas pela osteoporose do que de pacientes com câncer de mama ou problemas cardíacos. Daí a importância da conscientização das mulheres para a prevenção dessa doença, grande responsável pela má qualidade de vida pós-menopausa.
Até a metade da década de 80, a doença só podia ser detectada em estado avançado, através de radiografia, que só identificava perdas superiores a 30%. Hoje, no entanto, os aparelhos de densitometria óssea são capazes de detectar perdas de massa óssea a partir de 2%. Isso significa que uma mulher de 30 anos pode se prevenir contra a osteoporose futura, eliminando os fatores que agravam essa descalcifição óssea, como álcool, cigarro, sedentarismo, medicamentos como corticóides e ingerindo alimentos ricos em cálcio.
Tratamento Como as causas da osteoporose estão diretamente ligadas à carência hormonal, a principal linha de tratamento no início da menopausa é a reposição desses hormônios. Entre os diversos tipos de tratamento – terapia de reposição hormonal, administração de bisfosfonatos, calcitominas e suplementos de cálcio e vitamina D – estão os moduladores seletivos dos receptores do estrógeno. Trata-se de uma nova classe de medicamentos, mais conhecidos pela sigla SERM, que imita a ação do estrógeno e impede a reabsorção óssea, reduzindo, inclusive, o risco de tumores malignos.
O raloxifeno – desenvolvido e fabricado pela indústria farmacêutica Eli Lilly sob a marca Evista, é um SERM que aumenta a massa óssea sem estimular as células da mama e do útero. Isso faz do medicamento desenvolvido à base desse princípio ativo uma terapia que, além de diminuir em 55% o risco da primeira fratura vertebral relacionada à osteoporose, reduz a incidência de novos diagnósticos de câncer de mama nas mulheres pós-menopausadas, um dos maiores receios das mulheres na fase do climatério em relação à reposição hormonal.
Estudos internacionais constataram também que a tibolona, princípio ativo do Livial, medicamento produzido pela Organon, é outra substância utilizada na terapia há oito anos que, além de não provocar esse efeito, atua como um protetor da mama, inibindo o surgimento do câncer. Entre a população feminina, este é o tipo de tumor mais temido e 75% dos diagnósticos são feitos no período pós-menopausa.
Segundo o médico Afonso Celso Pinto Nazário, professor e chefe clínico da disciplina de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina, a maioria dos medicamentos adotados na reposição hormonal causa o aumento da densidade da mama após 1 ou 2 anos de uso, o que dificulta o diagnóstico da doença, tanto através da mamografia como do exame clínico realizado pelo médico. ‘‘A tibolona não apresenta este efeito e tem ação antiproliferativa, não contribuindo para o surgimento de células malignas’’, afirma Nazário. O especialista informa ainda que a tibolona tem ação tecidual específica, ou seja, atua de forma diferenciada nos diversos órgãos e tecidos, de acordo com o que eles estão precisando. Nas mamas e nos ossos, atua como um protetor, inibindo o câncer de mama e prevenindo a osteoporose.
Libido Dados científicos sugerem que a libido das mulheres está relacionada com seus níveis de androgênio, que pode decair até dois terços durante a menopausa. Investigações recentes revelam que cerca de 85% das mulheres procuram ajuda médica quando entram na fase da menopausa, queixando-se de problemas sexuais. Como possui uma ação androgência, além da estrogênica e progestagênica, a tibolona produz um efeito positivo no comportamento sexual dessas mulheres. ‘‘Essa característica, que destaca a tibolona das terapias hormonais tradicionais, faz a libido retornar praticamente ao seu patamar normal. Isso porque, na vagina, a tibolona possui um efeito proliferador – mantém o epitélio espesso, melhorando a elasticidade, a lubrificação e as relações sexuais’’, completa Nazário.

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