Inimigo oculto
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quinta-feira, 12 de abril de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Ele ainda é bastante desconhecido do grande público e pouca gente sabe como aparece, como evitá-lo e até mesmo se está contaminado ou não. Mas a verdade é que o vírus do HPV está presente em 50% a 80% das mulheres sexualmente ativas e é o responsável por cerca de 90% dos casos de câncer do cólo do útero.
Os números são impressionantes e confirmam o desconhecimento da população em relação ao HPV, sua transmissão e prevenção. De acordo com o infectologista Jan Walter Stegmann, existem cerca de 200 tipos de vírus HPV no mundo e eles podem ser divididos em dois grupos: os cancerígenos e os não cancerígenos. ''Nem todos os tipos de vírus provocam o câncer de cólo do útero e a grande maioria é bastante rara. Temos quatro tipos que são mais comuns e dois deles cancerosos'', afirma.
A boa notícia é que acaba de chegar ao mercado brasileiro uma vacina contra os quatro tipos mais frequentes de HPV, dois deles causadores de câncer. ''Ela está liberada desde o começo deste ano no Brasil e é indicada para mulheres entre 9 e 26 anos de idade'', diz o infectologista José Luis da Silveira Baldy.
A limitação se deve, segundo ele, ao fato de as mulheres ser as maiores prejudicadas pelo vírus e de terem mais chances de não estar contaminadas antes dos 26 anos. ''A vacina é preventiva, deve ser aplicada o mais cedo possível. Como depois dos 26 anos as mulheres já têm vida sexual, possivelmente elas já tenham tido contato com o vírus e a vacina não irá eliminar o vírus já instalado'', explica.
Isso não significa que todas as mulheres que já passaram dos 26 corram o risco de estar contaminadas e desenvolver câncer. ''Cerca de 25% das mulheres infectadas com HPV adquirem o vírus de alto risco oncogênico e apenas 10% delas irão ter a doença. Isso porque o sistema imunológico do organismo elimina o vírus naturalmente em vários casos'', garante a ginecologista Olívia Maria Nassif Fernandes.
Ainda assim, ela lembra da importância de tomar a vacina e se prevenir contra o HPV. ''A vacina não garante imunidade total porque protege contra 90% dos casos de HPV benigno e 70% dos casos de HPV cancerígeno. Mas acredito que seja uma ótima solução para quem ainda não iniciou a vida sexual e gostaria de se pevenir contra um câncer. Mas o uso de preservativos continua sendo fundamental'', aconselha.
A vacina contra o HPV é intramuscular e deve ser tomada em três doses, sendo a segunda dois meses depois da primeira e a terceira quatro meses depois da segunda. ''Não existem efeitos colaterais nem contra-indicações específicas da vacina. Apenas mulheres que estejam tomando medicamentos imunodepressivos não devem tomar. O único problema é o custo de cada dose, que está em torno de R$ 530'', diz o infectologista José Luis Baldy. Por enquanto, a vacina não está disponível na rede pública de saúde.


