Inimigo invisível
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
O esmalte dos dentes é a substância mais resistente do corpo humano. Ele suporta toda a força do maxilar, não se rompe, mesmo com o atrito de alimentos e objetos que levamos à boca, e se mantém praticamente intacto apesar das escovações, limpezas em consultórios e outros processos abrasivos.
Mas essa substância tão poderosa pode ser danificada por um inimigo invisível e até hoje pouco conhecido da população: a erosão ácida. ''Antes, os problemas bucais mais comuns eram as cáries. Com o avanço das técnicas e produtos de prevenção, é raro hoje encontrar jovens que tenham lesões causadas por cáries. O mais novo desafio dos dentistas, na minha opinião, é a erosão ácida e os desgastes dentários que ela causa. Está ficando cada vez mais comum encontrar pacientes que apresentam esse tipo de problema'', afirma o cirurgião-dentista Valter Scalco.
A erosão é, como o próprio nome diz, um desgaste na estrutura dentária similar à erosão que as chuvas causam no solo. Gradativamente, o dente vai perdendo o esmalte e ganhando afundamentos em suas paredes. ''Esse desgaste pode acontecer em qualquer parte do dente, mas o mais comum é na área próxima da raiz ou nas pontas. Quando acontece na raiz, os pacientes geralmente reclamam de dor e sensibilidade para ingerir alimentos gelados ou quentes. Quando a perda é nas pontas, o desgaste provoca perda de função dos dentes e também compromete a estética'', diz.
Segundo o especialista são vários os fatores que podem levar à erosão ácida. ''O mais comum deles é a alimentação à base de produtos ácidos. Com a busca por corpos perfeitos e magros, algumas pessoas consomem muitas frutas cítricas e refrigerantes light e diet. Ambos contêm um pH muito baixo, que indica alta acidez. Para se ter uma idéia, a coca light tem o mesmo pH do ácido estomacal. Ter uma alimentação saudável e comer frutas é importante, mas é preciso equilíbrio. Recentemente atendi uma paciente que estava com os dentes bem desgastados na parte das pontas por causa do consumo excessivo de limão'', conta. As bebidas gaseificadas em geral, o vinho e as frutas cítricas possuem um teor de acidez que compromete o esmalte dentário. Esses alimentos não devem ser consumidos com exagero.
Outros fatores que causam a erosão são ranger de dentes, articulação desequilibrada, predisposição genética e problemas na escovação. ''Quando falamos em escovar os dentes, muitas pessoas cometem erros achando que estão fazendo o certo. Usar muita força e escovas duras é uma atitude que pode danificar o esmalte e causar a erosão, assim como escovar os dentes por longos períodos e com excesso de creme dental. A escovação logo depois de ingerir alimentos ácidos também não é recomendada. O ideal é fazer um bochecho com água para retirar o ácido acumulado na boca e só depois de uns 30 minutos escovar'', ensina Valter.
Problemas de estômago e bulimia também podem causar erosão dental. ''As pessoas que sofrem de bulimia têm grandes chances de ter erosão por causa do ácido do estômago que é liberado com o vômito. Até mesmo o ar ácido liberado pelo estômago por pacientes que têm gastrite e refluxo pode danificar a parede do dente'', alerta.
Para tratar o desgaste, o especialista diz que é necessário restaurar as áreas danificadas do dente com o uso de resina apropriada. ''Dessa forma, as pontas são reconstruídas e a raiz dental é protegida, devolvendo funcionalidade e beleza. O problema é fazer o diagnóstico correto. Muitas vezes a erosão passa despercebida pelos dentistas, assim como sua origem. Além de tratar os dentes já atingidos, é preciso detectar a causa para que o problema não volte.''


