Depois do câncer de mama, o câncer de colo de útero é o segundo que mais atinge as mulheres brasileiras. O maior responsável por esse tipo de tumor é o papilomavírus (HPV), transmitido, sobretudo, através do contato sexual e praticamente inofensivo aos homens, mas altamente nocivo às mulheres. A boa notícia é que esse câncer pode ser evitado com medidas simples de prevenção: uso de preservativo e exames ginecológicos de rotina. A má notícia é que no Brasil tais regras passam longe dos hábitos femininos e o país integra um triste ranking: está entre os cinco mais vitimados pelo câncer de colo uterino, com mais de 16 mil casos por ano e cerca de quatro mil mortes.
Os números de infectadas pelo papilomavírus no Brasil são os mesmos no mundo todo: uma em cada quatro mulheres sexualmente ativas têm o HPV. A grande diferença é que aqui a detecção do vírus e das lesões é tardia, enquanto que nos países mais desenvolvidos ela é feita precocemente, resultando índices de câncer de colo uterino bem próximos de zero.
O médico patologista e citopatologista em ginecologia, Antônio Camata, informa que, em Londrina, 4,5% das pacientes particulares e 5% a 6% das provenientes do SUS têm algum tipo de alteração citológica que mereça investigação. Das infectadas pelo HPV na cidade, cerca de 62% têm menos de 30 anos. Mas Camata esclarece que nem todas as mulheres acometidas pelo vírus terão câncer. Muitas delas (cerca de 70%) obtêm cura imunológica (espontânea). Outras desenvolvem apenas verrugas e displasias, já que nem todos os tipos de papilomavírus têm a capacidade de provocar tumores malignos.
De acordo com o médico, exames citológicos atuais já predizem se a lesão pode evoluir para câncer ou não, de acordo com os tipos de alterações celulares. O HPV dos tipos 6 e 11 são considerados de baixo risco. Os mais agressivos são, principalmente, os dos tipos 16 e 18, que se não forem diagnosticados a tempo vão provocar a doença. De acordo com Camata, esse tipo de exame, conhecido como Captura Híbrida (pesquisa de DNA), é pago apenas por alguns convênios médicos e ainda não está disponível na saúde pública.
Mas os exames preventivos de rotina, que devem ser realizados pelo menos uma vez ao ano, são suficientes para observar alterações celulares decorrentes da infecção viral. O Papanicolau é hoje o teste mais difundido e acessível para detectar lesões e verrugas provocadas pelo HPV. Camata destaca ainda a colposcopia, realizada também durante a consulta ao ginecologista.
Uma vez diagnosticada a lesão pré-cancerígena, os métodos de tratamento utilizados são o laser, que congela e destrói o tecido afetado (ainda não disponível a toda população); a cirurgia de alta frequência (CAF), que apenas em alguns segundo corta ou destrói o tecido atingido pelas lesões; e a conização, retirada de um pedaço do colo uterino, em forma de cone, através de bisturi, laser ou CAF. Também é possível o tratamento com ácido aplicado diretamente sobre as lesões.

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