A hepatite B, o mais perigoso dentre os sete tipos virais da infecção, atinge 400 milhões de pessoas no mundo e é dez vezes mais contagiosa do que a Aids. Apesar disso, a doença é bem menos famosa do que outras enfermidades e poucas pessoas sabem como prevenir e tratar.
Os tipos de hepatite mais conhecidos são o A, B e C, causados por vírus. Mas a doença tem origem em outros microorganismos, como fungos, protozoários e bactérias, e em fatores externos, com o consumo excessivo de álcool e alguns medicamentos. ''Trata-se de uma inflamação do fígado que pode surgir de várias maneiras. A causada por vírus vai do tipo A até o tipo G, sendo a A, B e C as mais comuns'', diz o infectologista Jan Walter Stegmann.
Das três, as mais preocupantes são a hepatite B e C, que podem causar cirrose e câncer de fígado, levando o paciente à morte. ''Quando a pessoa contrai o vírus da hepatite, seja qual for o tipo, ela pode eliminá-lo naturalmente ou permanecer com ele e não desenvolver os sintomas, ou se tornar um paciente crônico, com sintomas. Vinte por cento das pessoas podem ser se tornar sintomáticas num período de 20 anos'', explica o especialista.
Quando a doença do tipo B é transmitida de mãe para filho, durante o parto, 95% dos casos se tornam crônicos. ''Esse grupo tem um risco maior porque a criança ainda não têm o sistema imunológico maduro o suficiente para desenvolver defesa contra o vírus HBV, responsável pela hepatite B'', afirma o gastroenterologista e especialista em Hepatite B da Universidade de Hong Kong, George Lau, que esteve no Brasil para um simpósio sobre a doença no mês passado, em Campos do Jordão.
O problema nos casos de hepatite B é a facilidade com que a doença tem se espalhado. No Brasil, ela atinge 2 milhões de pessoas, sendo 200 mil em estado crônico. Ela é transmitida através de relações sexuais e sangue contaminado adquirido em transfusões e compartilhamento de seringas e objetos cortantes infectados. ''O sangue dos bancos de doação já passa pelos testes para detectar a presença de anticorpos, o que indica que a pessoa já teve um contato com o vírus. É dessa forma que muitas pessoas descobrem que tiveram o HBV no sangue'', comenta Jan.
O vírus do tipo C também é transmitido pelo sangue, mas em número bem menor, e o tipo A é transmitido por via oral. ''Na hepatite A, o paciente não desenvolve a doença crônica. O organismo acaba eliminando o vírus sozinho'', garante. Mas todas podem apresentar a forma aguda, com sintomas que podem ser febre, mal-estar, náusea, dor de barriga, pele amarelada, intolerância à gordura e cigarro e dor de garganta. ''Mas poucas pessoas desenvolvem os sintomas agudos'', lembra o médico.
Para evitar a doença, ele recomenda o uso de camisinha e de seringas e materiais cortantes individuais. ''Quem usa cocaína também pode pegar hepatite C através dos canudos compartilhados para cheirar o pó. Já o tipo A é evitado com higiene no preparo de alimentos e saneamento básico. Para o tipo B existe vacina distribuída pela rede pública nos postos, mas ela tem validade de dez anos, depois precisa ser reforçada. O tipo A também possui vacina fornecida gratuitamente apenas para alguns casos, com indicação médica''.

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