Ingredientes, receitas, misturas? Mas não é de moda que estamos falando? Pois bem, o inverno que vem por aí será um prato cheio de delícias. Durante os sete dias da São Paulo Fashion Week, ''chefs-estilistas'' apresentaram seus temperos em 47 desfiles. Foram colheradas de romantismo, xícaras de veludo e tricô manual, pitadas de ouro e umas boas doses de marrom, verde e berinjela. A dica para um guarda-roupa no ponto certo é misturar tudo muito bem, já que as influências folk e cigana também estão no ar.
E como o nosso inverno não é lá tão rigoroso assim, o forno não precisa estar tão alto. Não por acaso, vestidos e saias são os pratos principais e podem ser acompanhados de molhos, ou melhor, mantôs e casaquetos. A combinação dos tecidos fluidos com lã e veludo equilibra a receita bem fácil de ser digerida, principalmente para as mais românticas.
Da poesia dos bilhetinhos de Carlos Drummond de Andrade, que inspirou Ronaldo Fraga, sempre precioso nos mínimos detalhes, às princesas da Disney e todo o saboroso universo infantil de Isabela Capeto, o romantismo é quase palavra de ordem. Só não é totalmente porque o cardápio fashion há muito deixou de ser ditatorial. Como há sempre quem prefira o apimentado ao adocicado, o outono-inverno terá as estampas apetitosas de André Lima, os volumes generosos da Zoomp e o folk de dar água na boca da Cori.
Sobremesa? Só se for bem gelada, como a estampa de montanha da Osklen. Ou mesmo para esquentar os corações como o patchwork de Sommer (inspirado no filme Colcha de Retalhos, com Winona Ryder). O sabor suave do veludo vem no azul petróleo da Forum, no verde teatral da Raia de Goeye e no vermelho cortina de Reinaldo Lourenço.
A refeição não fica completa sem as novas entradas, ou seja as estréias muito bem preparadas de Erica Ikezili e suas doces dobraduras, as estampas apaches de Fábia Bercsek, o tempero francês art nouveau de Gisele Nasser, a pitada étnica da Neon e as saias cinquentinhas de Samuel Cirnansck.
Nesse cardápio proposto pela SPFW, até versão light apareceu. Alexandre Herchcovitch e Eduardo Suppes amenizaram o agressivo camuflado. O primeiro trocou os tons verdes da estampa militar pelos rosas numa laise bem delicada. Já o segundo preferiu suavizar o camuflado explícito com o rosê das peças que o acompanham.
Revisando a receita qualquer ingrediente esquecido não faz o bolo crescer , não podem ficar de fora o tricô artesanal de pontos largos como o da Vide Bula, os tweeds como na saia da Huis Clos. O toque final é o ouro polvilhando as coleções. O brilho dos cristais também volta a iluminar o guarda-roupa em combinação com a cartela de cores que passa pelo berinjela, tons de marrom e verde.
* A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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