Infância plugada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2007
Da Editoria 
As crianças de hoje já nascem plugadas. A afirmação é da psicóloga Elsie Silva, que aproveita a proximidade do dia 12 de outubro para fazer algumas reflexões sobre a infância do século 21. Quem nunca se espantou ao ouvir uma resposta pronta e certeira de um pequeno de 3 anos? Ou foi obrigado a responder questões um tanto quanto adiantadas para a idade? Pois é, as crianças já não são mais como antigamente.
Se antes o que predominava eram brincadeiras na rua, hoje as crianças estão focadas em jogos eletrônicos e na internet. Aliás, esse último tópico é o responsável por boa parte das transformações infantis. As crianças já nasceram no mundo da internet e por isso têm uma leitura diferente do mundo. Elas aprendem a ter velocidade de pensamento porque têm acesso a muitas informações, aponta a psicóloga. O cuidado, conforme ela, é não deixar de ter momentos para refletir e processar essas informações para formar cidadãos com senso crítico e não apenas aprendizes de MSN, Blogs e Orkut.
Mas Elsie garante que a internet, usada de forma consciente, não é nenhum monstro. É importante limitar o uso diário em no máximo duas horas e colocar o computador em um lugar de livre acesso a todos para poder ver o que a criança e o adolescente estão acessando, orienta. Fora isso, é imprescindível aceitar que o computador já faz parte da vida moderna.
Elsie define que a criança de hoje tem características diferentes da de décadas atrás e traça um comparativo: É mais limitada no aspecto físico, mas tem uma visão mais ampla de informações; talvez ela tenha um menor círculo de relações familiares pelo menor número de membros, mas tem um enorme campo de contatos virtuais; antes o desenvolvimento se dava por coisas palpáveis e atualmente ele é mais virtual, e ainda tem um desafio maior que é lidar com a competição, argumenta a psicóloga.
Se antes a boneca era de pano, hoje já é possível criar novos figurinos para a boneca virtual. O mesmo se dá para os jogos. Isso dá maior oportunidade de criação, diz Elsie. E a comunicação na Web também apresenta novas vertentes, sendo possível conversar, criar amigos e até brigar virtualmente.
Entretanto, uma coisa não mudou e nunca vai mudar, segundo a psicóloga: As crianças continuam precisando muito de afeto e proteção contínua dos pais. Elas podem até ser mais vivas e ativas, mas não deixam de ser pessoas com a personalidade e os conceitos em formação. No mundo atual, os requisitos são diferentes, até porque as crianças são mais espertas pois já nascem num ambiente com muita informação e têm acesso precoce ao mundo adulto, aponta.
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