‘‘vão deixá-la mais com um ar de fantasia de Cinderela na parada da Disney do que de noiva feliz’’.
Buquê de flores artificiais em tecido: mais leve, é opção ideal para as cerimônias realizadas de manhã.
Se as limitações de cada tipo físico forem devidamente respeitadas, as chances de acertar o modelito ultrapassam os 50%. Não adianta querer usar um vestido curto ou colado ao corpo se você tem pernas grossas e é baixinha. Cláudia recomenda os longos, que alongam a silhueta e dão mais leveza. ‘‘Evite também golas muito altas e decotes fechados’’, ensina. Para as excessivamente magras, saias com bastante volume e sutiã com enchimento são itens recomendáveis.
As dimensões da Igreja onde será realizada a cerimônia também devem ser levadas em conta. ‘‘Você estaria completamente fora de contexto ao se casar com um minitubinho branco em uma imensa catedral. Assim como pareceria sufocante um véu de quatro metros se arrastando pelo chão de uma rústica capelinha’’, adverte Cláudia. O estilo do casamento - informal, tradicional ou ultraformal - geralmente é estipulado pelo horário da cerimônia. Via de regra, as manhãs pedem festas informais e as noites exigem mais formalidade.
Buquê de flores naturais feito com rosas, lírios holandeses, folhas de hera e orquídeas
Tecidos e acessóriosDe acordo com o estilista Sérgio Blain, de São Paulo, nos casamentos realizados pela manhã os brilhos devem ser dispensados. ‘‘Pedrarias, só se forem foscas. Os bordados devem ser em linha de seda, e os tecidos mais indicados são tafetá de seda pura, gazar, laise e organza’’, ensina. Para as madrinhas, vestido curto e chapéu são obrigatórios. As noivas podem escolher entre os vários comprimentos de véus curtos (nos ombros, nos cotovelos, na cintura ou apenas tocando o chão). Nada de caudas e véus se arrastando pela nave.
‘‘Nos cabelos, a grinalda tradicional, de flor de laranjeira, é uma boa escolha. Se optar pela coroa, que está na moda hoje, melhor as de pérolas. Ou então chapéu, que fica muito elegante’’, diz. A londrinense Nilse Gradia, que faz arranjos para noivas e madrinhas há 25 anos, sugere ainda laços, turbantes, tiaras encapadas com o mesmo tecido do vestido ou arranjos de flores artificiais, em cetim, organza, crepe ou renda. As luvas são permitidas, desde que sejam curtinhas.
Vestido de tafetá de seda, rebordado em cristais, pérolas e miçangas. A tiara é de cristais e strass: opção para a noite
À tarde, valem as mesmas regras para a manhã, mas já são permitidos alguns toques de brilho nos tecidos. Cláudia Matarazzo sugere gorgorão, chamalote, seda e xantungue. ‘‘No final da tarde, o comprimento do véu pode aumentar, e uma discreta cauda não é pecado. À medida que a tarde avança, as mangas podem ficar mais longas e, dependendo do modelo, é possível usar luvas até o cotovelo, nesse caso, com mangas curtinhas’’, explica. Segundo o estilista Sérgio Blain, chapéu e vestidos curtos continuam sendo obrigatórios para as madrinhas. Se a noiva escolher um modelo curto, deve lembrar que deverá se preocupar com sapatos e meias. ‘‘Não vai dar para escolher um saltinho médio, mais confortável, ou optar por meia de seda 3/4, muito mais prática na hora do inevitável xixi’’, observa Cláudia.
A partir das 19h30, o horário passa a ser de gala. O comprimento dos vestidos aumenta - tanto para a noiva como para as madrinhas - e o chapéu é abolido completamente. Bordados rebuscados, pedrarias ofuscantes e caudas longas estão liberadas. ‘‘A noiva pode fazer tudo o que tem vontade, mas é preciso ter cuidado. Essa liberdade não significa excesso de detalhes. Caso contrário, o vestido vai acabar sendo um fardo a ser carregado, e ela vai perder a elegância’’, avisa Sérgio. O estilista lembra que quando uma noiva está entrando na igreja, o vestido tem que demonstrar, além da beleza estética, aquilo que a união representa. ‘‘Toques sensuais exagerados, como decotes profundos ou tomara-que-caia, são de absoluto mau gosto’’, ressalta.Rosângela Vale
Texto e Produção

Vestido de tafetá de seda com renda guipure bordado em pérolas japonesas: para usar de manhãVéu, grinalda, buquê e caudas intermináveis fazem parte do imaginário feminino desde a infância. Vestir-se para o dia do casamento é a realização de um sonho planejado milimetricamente. É hora de escolher o tecido, os bordados e os brilhos que vão marcar a data para sempre. Por ser considerado um dia único na vida de uma mulher (ela pode até se casar mais de uma vez, mas a primeira é a que conta), tudo parece ser permitido. Afinal, a noiva tem que fazer jus ao seu papel de protagonista da festa.
Por isso, todo cuidado é pouco para não errar a mão e acabar virando uma árvore de natal. Detalhes em excesso podem comprometer o figurino e fazer com que a noiva se sinta ridícula toda a vez que olhar o álbum de fotos. Elegância nunca foi sinônimo de exagero, mas quando a questão é escolher o visual para o grande dia, nem sempre o bom senso funciona. Um determinado modelo pode parecer perfeito à primeira vista, mas é preciso incluí-lo no contexto da cerimônia para certificar-se disso.
Acessórios indispensáveis: chapéu de palha e crinol com papoulas em organza e seda, e luvas curtinhas
CritériosA jornalista Cláudia Matarazzo, no seu mais recente livro Case e Arrase - um guia para organizar seu
grande dia - aponta quatro critérios para a escolha do vestido: tipo físico, horário, idade e estilo do casamento. Segundo ela, uma noiva jovem deve evitar brilhos e bordados carregados. ‘‘A juventude é o maior dos enfeites, e não convém sufocá-la com excessos e panejamentos extras’’, justi
fica. Para as que têm mais de 30 anos, mangas bufantes, saias muito rodadas e decotes princesa estão proibidos, pois

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