Independência sefaz com criatividade
Numa época em que aumenta em todo o mundo o número de pessoas que trabalha em casa, alguns pioneiros no mercado informal avisam aos iniciantes que são necessários alguns cuidados.
O desenhista Clóvis Francisco deixou um bom cargo num emprego público para fazer em casa serviços de computação gráfica. No computador, ele cria logotipos, cartões e ainda controla a casa. Além de cuidar do filho de 1 ano, ele pode ajudar a mulher nas tarefas domésticas. Ele garante que recebe um salário digno para manter sua família, mas avisa que essa situação é fruto de muito sacrifício e de talento. ‘‘Qualquer pessoa com um pouco de criatividade pode fugir do salário mínimo. Mas é preciso muita dedicação, ter um dom para o negócio e de algum dimheiro para investir’’, adverte. ‘‘Tem muita gente que acha que com algumas economias pode sair do emprego e montar seu próprio negócio. Só que a maioria quebra logo. O mercado é uma ilusão e quem não investe cai’’, diz Clóvis. Ele conta que o grande vilão dos microempresários é o excesso de impostos.‘‘Muitos sentem medo da fiscalização e acabam formalizando suas empresas, mas são tantos encargos, tantos gastos, que o melhor é a inscrição como autônomo’’, explica o desenhista.
Do quintal para o mundoPara facilitar a vida dos profissionais ‘‘de fundo de quintal’’ foi criada, há três anos, a Associação do Desenvolvimento da Indústria Informal de Maringá (ADIM). Ela orienta os profissionais sobre a criação da empresa e auxilia na legalização dos produtos no mercado. O presidente da ADIM, Christian Herbert Kulza, coordena em casa, os trabalhos da Associação que hoje está informatizada, mas que segundo ele ainda é uma empresa de fundo de quintal. ‘‘Mesmo com o apoio da Associação Comercial e Industrial de Maringá (ACIM), sentimos a falta de interesse de políticos e de empresários da comunidade. Há um preconceito contra produtos nacionais, e muitos preferem os importados que competem com a gente’’, desabafa Kulza, que luta por uma sede própria para a ADIM. Em sociedade com a esposa, Kulza possui uma fábrica de bonecas de lã. Ele conta que hoje a Associação tem muitos sócios inscritos, mas grande parte deles não está na ativa. ‘‘Só do ramo de confecções, 100% quebraram, foram para o espaço. O setor de alimentos também está muito devagar, exceto alguns poucos que conseguem colocar seus produtos à venda nos supermercados’’. Segundo Christian Kulza, muitos informais procuram a entidade para poder operar legalmente porque os produtores cadastrados podem conseguir notas fiscais da Associação para comercializar seus produtos.
Entre os associados que são auxiliados pela ADIM está o metalúrgico Domingos Lombardi, que ‘‘inventou’’ um jeito de melhorar seu salário de aposentado. No fundo do seu quintal, Lombardi inventa máquinas para atender a empresas de Maringá. Ele criou uma máquina autolimpante para um laticínio, plantadeiras e cultivadoras para agricultores e, como o Professor Pardal, está sempre mexendo em suas traquitanas, buscando novos inventos e soluções. ‘‘Para abrir uma indústria com o meu salário, só em sonho. É preciso muito dinheiro para investir e competir no mercado. O jeito é inventar’’, decreta Domingos Lombardi.

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