Imunidade em pane
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Quem já teve ou tem filhos sabe muito bem que as infecções de garganta e ouvido, resfriados e outras doenças como sapinho, pneumonia e diarréia são quase rotina na primeira infância. Com a frequência, é possível acreditar que seja normal a criança passar várias vezes por esses episódios infecciosos. Essa idéia não está totalmente errada, mas algns sinais devem ser levados mais a sério.
Segundo a infectologista Dayse Souza de Pauli, existe um limite para se considerar aceitáveis as infecções em crianças. ''Até os nove meses de idade, o sistema imunológico dos bebês traz os anticorpos herdados da mãe, que lhe confere certa proteção. Depois dessa fase, os anticorpos da mãe diminuem e o organismo fica mais suscetível às doenças. Cinco resfriados por ano, por exemplo, são considerados normais depois do nono mês'', diz.
Até o quinto ano de vida, a criança já entrou em contato com vários tipos de vírus e bactérias e deve estar vacinada contra algumas doenças, desenvolvendo seu próprio sistema imunológico. ''A partir daí, as ocorrências de infecções e outras doenças tendem a diminuir se a pessoa for imunocompetente possuir um sistema imunológico eficaz. Só depois dos 45 anos pode haver queda dos fatores de defesa e mais probabilidades para certas infecções'', explica.
Ultrapassar um número normal de infecções ou apresentar outras singularidades (veja box), mesmo no período em que a 'baixa' imunidade é normal entre os nove meses e os cinco anos pode ser um sinal de que o sistema imunológico esteja desajustado. ''Podemos constatar uma imunodeficiência primária (IDP). As IDPs revelam defeitos em qualquer parte do sistema imune e sua apresentação clínica é ampla, variando desde susceptibilidade a infecções, neoplasias, alergias e manifestações auto-imunes'', afirma a especialista.
Diagnóstico difícil Como as IDPs foram reconhecidas há pouco tempo pela medicina há cerca de 50 anos , o diagnóstico correto muitas vezes é difícil. ''Existem mais de 100 tipos de imunodeficiências primárias e cada uma tem uma característica diferente. São necessários vários exames para descobrir as causas. Para isso necessitamos de exames específicos e, às vezes, de alto custo e difícil interpretação. O sistema público de saúde não oferece esses exames e os planos de saúde privados só os autorizam em determinados casos'', observa a infectologista.
Sem o diagnóstico e o tratamento corretos, a imunodeficiência compromete a qualidade de vida do paciente. ''A pessoa fica mais suscetível às infecções e, por isso, precisa tomar mais antibióticos. Isso pode trazer complicações hepáticas e de audição, além de problemas pulmonares e dificultar o crescimento da criança. Em alguns casos existe o risco de morte por infecções graves'', alerta.
O tratamento para as IDPs depende do tipo da doença, que pode ser causada pelo excesso de anticorpos ou pela falta deles (veja box). ''Pode ir desde antibióticoterapia, dessensibilização alérgica, terapia imunossupressora, antiinflamatória e imunomodularadora'', explica. O uso de medicamentos pode ser por um período determinado ou pelo resto da vida, dependendo da resposta de cada paciente. ''As reações adversas podem acontecer e incluem desde alergias e queda de resistência a problemas de pressão e diabetes. Mas todas elas podem ser controladas pelo acompanhamento médico'', afirma.
Para os casos mais sérios, o transplante de medula também pode ser necessário. ''E ele deve ser feito o quanto antes, para que o paciente não fique com o organismo muito debilitado'', acrescenta ela.
Sinais de imunodeficiência
- Duas ou mais pneumonias no último ano
- Oito ou mais otites em um ano
- Estomatite (afta) de repetição ou monilíase (sapinho) por mais de dois meses
- Abscessos (furúnculos) de repetição
- Diarréia ou infecção intestinal de repetição ou diarréia crônica
- Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteomielite, inflamação generalizada)
- Asma grave, doença do colágeno, reumatológica (artrite) e auto-imune (lupus)
- Efeito adverso à vacina
- Histórico familiar de imunodeficiência
Crianças e adultos que apresentam ou já apresentaram com frequência alguma dessas patologias podem ter uma deficiência no sistema imunológico. Para um diagnóstico correto é preciso consultar um médico.


