Impacto na sexualidade juvenil
''... De fato, os índices mostram que a gravidez nas mulheres menores de 19 anos são crescentes. Entretanto, não são estas ou estes adolescentes os que usam anticoncepcionais. A falsa premissa de que o surgimento dos anticoncepcionais incentivou o aumento das relações coitais em adolescentes parece mais uma adivinhação do que uma realidade. Se assim fosse, não teríamos as taxas de gravidez nessas idades. Esse fenômeno parece obedecer à liberação cultural na ausência de fatores de conteúdo mais adequados. (...) Não é estranho, portanto, que as consequências da gravidez em idades precoces se transforme em um dos fatores do círculo de pobreza e que cerca de 28% a 30% dos doentes de Aids tenham adquirido o vírus antes dos 29 anos de idade. Tampouco é estranho que o abandono escolar devido à gravidez tenha taxas inaceitáveis, que a violência e a desnutrição infantil concentre-se nos filhos da mães adolescentes, e que estas, em sua maior proporção, sejam por sua vez filha ou filho de outra mãe adolescente. O modelo repete-se indefinidamente. Nesse contexto, a pílula anticoncepcional, os métodos hormonais injetáveis e outros meios anticoncepcionais não são os causadores desse panorama mas, sim, poderiam ser excelentes meios para prevenir a gravidez inesperada num contexto de atenção integral para os jovens em risco'' (...)
Texto de Ramiro Molina-Cartes, médico ginecologista chileno





