Foi um empurrãozinho da casualidade que mudou a vida profissional do redator Oscar Silbiger, em março de 1981. Durante uma corrida de táxi, o falante motorista disse a Oscar que sua vida daria um livro, pois a duras penas recomeçara do zero, depois de um desfalque cometido pelo sócio, no interior de São Paulo. O motorista lamentou que nenhum editor publicaria sua história, visto que não era uma pessoa famosa.
Esse desabafo de um anônimo despertou em Oscar Silbiger a possibilidade de um novo trabalho. Ele colocou um anúncio no jornal intitulado ‘‘Sua Vida Daria um Livro?’, se propondo a registrar a vida de pessoas desconhecidas. Em três dias recebeu mais de 80 telefonemas e cartas de interessados de todo o Brasil. A imprensa também se interessou pelo ineditismo da proposta e Oscar Silbiger foi alvo de várias reportagens.
Registrar incríveis histórias de vida de pessoas anônimas passou a ser uma nova forma de Oscar Silbiger atuar profissionalmente. Em abril de 1981, deu início à primeira biografia. ‘‘Acho que sou o único profissional a fazer isso no mundo’’, admite. O objetivo dos biografados não é tornar sua história pública, por mais interessante que possa ser.
Além de relatar os fatos vividos, deixando um registro aos descendentes, muitos até fantasiam em cima da realidade que viveram, romanceando determinados episódios da vida, dando nova roupagem ao passado. Alguns livros são encomendados para atender ao desejo dos filhos ou esposa. ‘‘Rever toda a história de vida de uma pessoa é uma terapia sem terapeuta’’, constata.

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