Ilusão de ótica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de janeiro de 1999
Rosângela Vale 
Um dos maiores sucessos de venda das joalherias neste fim de ano foi uma peça, no mínimo, intrigante. Sem o resplendor explícito das jóias que costumam conquistar as mais assíduas clientes, o ponto de luz vem causando frisson exatamente por causa da sua simplicidade. Presa na altura da garganta por um fio de náilon transparente, a pequena pedra de diamante parece suspensa no ar ou incrustrada na pele. Puro minimalismo.
Cordão de cintura em ouro 18 quilates e pingentes de estrela e sol: para enfeitar belas curvas
A grande repercussão da peça, para alguns, é sinal dos novos tempos. Antes, a jóia era usada para mostrar o que a pessoa tinha, seu patrimônio. Hoje, é expressão de personalidade, observa Sheila Dryzun, da equipe de criação do joalheiro Rubens Dryzun, que inventou e patenteou o ponto de luz. A idéia de usar o náilon como cordão veio da Alemanha. Há uns três anos, surgiu lá a moda do fio de náilon colorido com pingentes de vários tipos, conta ela. Ao juntar a transparência do fio com a pureza do diamante, Rubens conseguiu materializar a noção de essência.
Pingente em ouro branco: versão sem brilhantesSheila explica que o grande trunfo da peça é a microcravação da pedra. Para valorizar o brilho do diamante, a armação que o segura é minúscula, pois quanto menos metal ao redor, mais luz a pedra reflete. Lançado em abril do ano passado, o ponto de luz foi sucesso também fora do País. Recebemos pedidos do mundo todo, mas a demanda no Brasil foi tão grande, que não dava nem para pensar em exportar, diz Sheila, comemorando o feito, pois raramente o Brasil lança tendências. Sempre estamos copiando o que vem de fora. Desta vez, aconteceu o contrário.


