Hóspedes do barulho
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sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Celina Alonso Az 
Quando uma família planeja viajar nas férias, é comum surgir uma dúvida: onde deixar o cachorro? Como garantir que ele seja bem-tratado durante a ausência do dono? Para alguns, o jeito é pedir a um amigo ou a um vizinho que cuide e alimente o então morador solitário. Outros acabam levando o bichinho junto e, muitas vezes, atrapalhando as férias da família e a rotina do animal que terá de se adaptar a um local estranho. Uma solução é hospedar o cão em um hotel especializado. Em Maringá, pelo menos dois alojamentos para cães atendem através de reservas, e prometem algumas mordomias para o hóspede que passar pela triagem. Antes de alojar o animal no canil, o proprietário precisa apresentar a documentação em ordem e as vacinas em dia. O cão não pode estar com parasitas ou problemas de pele. Caso esteja com alguma vacina em atraso, o animal deve ser examinado e vacinado. Se estiver com pulgas ou carrapatos, só ocupa o quarto depois de passar por uma boa ducha antipulgas, e se tiver sarna é barrado e convidado a voltar quando estiver curado.
No Só Cães, o hóspede recebe diariamente duas rações macias com cheirinho de carne fresca, água trocada com frequência, cama e roupa lavada. Os casais ou filhos do mesmo dono podem ficar em alojamento conjunto. A diária para cães pequenos (Poodle miniatura, Pinscher, Yorkshire) custa R$ 7,00. Para os de médio porte (como Poodle, Basset e Cocker) o valor é de R$ 8,00; e para os grandes, tipo Boxer, Dogue, Mastim, R$ 10,00.
Se o dono quiser aproveitar para cuidar do visual do cão, ele pode passar pelos serviços de esteticista, banho e tosa. Não cortamos simplesmente o pêlo do animal, mas tosamos na época certa, respeitando as características da raça, diz Junior Pereira da Silva, do Só Cães.
Contornando conflitosNuma madrugada de domingo, a família de Sheila Cristina Souza precisou sair para uma viagem relâmpago e Jonathan, um Pinscher de dois meses, latiu por mais de oito horas. Se não levasse o cãozinho para o hotel na manhã seguinte, acho que quando a família voltasse teria de se mudar por causa das reclamações dos vizinhos, diz Sidney Sanchez, amigo da família que ficou encarregado de tomar conta do animal.
A apresentadora de TV Mirna Lavec está sempre viajando a negócios e o seu Jack Daniels, um Cocker dourado, que dorme aos pés da cama da dona, adora o convívio social. Para levá-lo junto no avião é sempre complicado, assim como a hospedagem em hotéis, que nem sempre aceitam cães. Como ele é muito afetuoso, Mirna o deixa hospedado em um hotel para cães. Ali ele se sente protegido e aproveita para conviver com outros cães e descobrir como é boa a vida de cachorro, brinca a colunista social.
Clara Silva já avisou a família: Se não arranjar um hotel para o Yang e a Yin prefiro passar as férias em casa mesmo, diz a garota que não suporta a idéia de ver seus dois Boxer sozinhos sem carinho, comendo comida velha e tomando água quente durante as férias.
Alimento envenenadoSegundo a veterinária Jussara Leonardo, da Clínica Rio Branco, os cães enfrentam alguns perigos quando ficam sozinhos em casa. Alguém pode tentar enve nená-los para entrar na casa, correndo o risco de ficarem sem atendimento., alerta a veterinária que atende a diversos chamados de emergência por tentativa de envenenamento de cães de guarda. Segundo a veterinária, o ideal é deixar sempre a casa com alguém para proteger a vida dos amigos queridos. E, de preferência, alimentar o animal no começo da noite, assim, se oferecerem alimento envenenado ele até pode recusar, e se comer, será menor a absorção pelo estômago, adverte ela.
Às vezes, o animal sente muito a falta do dono e por isso é preciso redobrar os cuidados. Ele leva de dois a três dias para se adaptar ao novo local, diz Silva, da Só Cães. Se o cão persistir em não comer por mais de dois dias, o que não é anormal dependendo da raça, ou se ele latir muito, nossa veterinária faz um tratamento intensivo de carinho e atenção. E só em último caso entra com medicação antiestressante, conta Silva que ainda não precisou usar da terapia intensiva para os seus hóspedes.
Barney, um Poodle de Zubeide Piveta, e Snoopy, um Beagle de Eliane Silva, já são habituées na Só Cães. Sempre que seus donos viajam ficam hospedados lá sem problemas.
No Freedog - Centro de Treinamento de Cães - todas as diárias custam R$ 7,00, e a alimentação é à base de arroz e carne moída. Se o dono preferir ração deverá combinar. O alojamento oferece também uma área para banhos de sol e um serviço de TaxiDog para buscar e levar o hóspede. Tem gente que não quer sujar o carro e precisa levar o cão ao veterinário ou para uma outra residência. Nós fazemos o transporte com segurança, num furgão, a R$ 0,25 por quilômetro rodado, afirma Ari Borges da Silva, do Freedog que, além de adestramento, oferece também um serviço de aluguel de cães vigilantes. Eles alugam cães das raças Doberman, Rotweiller e Mastim para habitar temporariamente a casa da família em férias. Diariamente deslocam um funcionário para fazer a limpeza do canil e tratar do animal, e ainda acender e apagar as luzes da casa. O aluguel diário é de R$ 20,00, e o mensal gira em torno de R$ 250,00.
Serviço:
Em Maringá
Só cães: fone (044) 223-5635
Freedog: fone (044) 224-2826


