''Existem dois tipos de lazer. O passivo, quando a pessoa não faz nada, e o ativo, que é só a mudança de atividade'', explica o patologista Luis Parellada. Ele, é claro, prefere o lazer ativo. ''Eu não posso ficar parado. Se ficar três dias num spa, saio de lá numa ambulância'', brinca. Não por acaso, nos momentos em que não está trabalhando, gosta de cozinhar e jogar bridge, que não é um jogo de cartas comum. ''Precisa de muita concentração. É um treinamento para a atenção'', avisa.
Sem falar que o patologista também pratica mergulho e rapel e ainda tem tempo para fazer a programação cultural da Associação Médica de Londrina e do Lab Imagem, aonde não só tem função de ''DJ'' (é ele quem escolhe o som ambiente do laboratório) como promove cursos de culinária para funcionários e clientes. No próximo sábado, dia 25, a aula é de sobremesas espanholas, aliás, uma das especialidades de Parellada, que nasceu em Barcelona.
''Dizem que no final de um dia de trabalho, a pessoa deve estar cansada e não estressada. Se estiver estressada é porque algo está errado ou a pessoa está fazendo o que não gosta'', explica Parellada, que afirma que a sua rotina de quase 12 horas diárias é bem tranquila. ''Hoje, depois do trabalho, tenho uma reunião na Associação Médica. Se terminar cedo, ainda vou para um curso de culinária portuguesa'', planejava o médico na terça-feira.
Rock e blues Num mês movimentado como o que passou, o cirurgião cardíaco Francisco Gregori Júnior chega a participar de 90 cirurgias. Nem por isso deixa de estudar música e ensaiar com a The Heart Band. Como leva a sério tudo o que faz, o lazer de Gregori também segue a mesma linha. Tanto que em apenas um ano passou de mero aluno de baixo a líder da banda de rock e blues. Claro que os horários das aulas sempre são ''absurdos'', como ele mesmo diz. Algo começando sempre em torno das 22 horas.
A história toda começou no ano passado, quando um dos filhos disse que queria aprender a tocar guitarra. ''Algumas aulas depois, o professor veio me dizer que o Chiquinho tinha um ouvido especial para a música'', lembra o médico, que então foi para São Paulo comprar uma guitarra para o filho. Acabou comprando logo uma Gibson Les Paul, tal e qual a do Santana. ''Quando estava saindo da loja vi um baixo Fender, que eu sempre sonhei em ter. Pensei: faço tanta coisa, já está na hora de brincar um pouco'', lembra Gregori, que chegou a ter uma banda na época da faculdade, mas passou 35 anos sem tocar.
Ao voltar para Londrina, começou a ter aulas com o mesmo professor do filho. Em dezembro do ano passado, um dos amigos o viu tocando e o convidou para se apresentar na festa de Ano Novo. O médico não só aceitou o desafio como contratou músicos profissionais para formar a banda, que ainda conta com a participação da esposa, Thelma, que também é médica, do filho, Chiquinho, e do sobrinho Daniel. ''Essa banda uniu mais a família'', conta. Em dezembro, a banda do cirurgião já tem agendada uma apresentação beneficente no Hotel Crystal.
Pesca, tênis e futebol O dia de trabalho do cardiolista Laércio Uemura tem sempre pelo menos 14 horas. Relaxar então é mesmo fundamental. Mas nada de deitar no sofá e ligar a tevê. Há cerca de três anos, quando descobriu que o filho, Paulo Vinícius, se interessava por pescaria, o cardiologista passou a frequentar locais do tipo pesque-pague nos finais de semana ou mesmo viajando mais longe, atrás dos peixes, seja na casa de praia em Santa Catarina ou lugares como Porto Epitácio. ''Aproveito para conviver mais com os meus filhos'', explica Uemura. Com a filha, Thaís, curte as partidas de tênis de mesa sempre que pode. E ainda sobra fôlego para bater uma bolinha pelo menos uma vez por semana no futebol com os amigos.
Para Uemura, os momentos de descontração servem para esquecer de todo o resto. Mas as histórias de pescador estão sempre na ponta da língua. ''Uma história? Tem sempre aquela do peixe que escapou'', brinca o cardiologista. ''O tucunaré azul anda sempre em dupla. Meu filho pescou um e o meu escapou'', garante.n

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