Homens ao ponto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Angela Raizer Barbosa<br> Reportagem Local 
Homens na cozinha não são mais novidade. O que ainda surpreende é o prazer que os move na escolha de equipamentos, receitas e ingredientes para encarar um fogão e aprontar delícias que fazem as mulheres literalmente cair de boca. Chamar familiares e amigos para um jantar, então, se tornou uma demonstração dos dotes culinários e um ritual de prazer e convivência. Com um detalhe: essas reuniões começam e acabam na cozinha ou, na melhor das hipóteses, no espaço do gourmet, como é conhecida a área exclusiva onde os endinheirados praticam seu hobby (há quem se dê ao luxo de ter uma cozinha para o dia a dia e outra para ocasiões especiais, geralmente assumida pelo dono da casa).
Para o cartorário Ricardo Coelho, apresentador do programa Gourmet in Cuccina, da TV Mix, essa paixão não tem mesmo limites, e não é de hoje. Nós sempre gostamos de cozinhar. Só que antes da abertura das importações nossas habilidades não iam além de um bom churrasco, uma feijoada ou uma macarronada. A globalização nos trouxe informações, equipamentos, temperos, enfim, produtos excepcionais que resultam em pratos igualmente excepcionais, garante.
Nessa lista de produtos estão condimentos de ervas finas, mascarpone, tomates secos, arbóreo para risotos, fogões e fornos multifuncionais, panelas de titânio e as próprias cozinhas, planejadas de forma que tudo fique à mão e os convidados em volta do fogão. Sem contar na proliferação de cursos de cozinha, programas de culinária com grandes chefs, sites de receitas, livros e revistas especializados na arte de atiçar a gula.
Mais perdulários que as mulheres na compra de apetrechos para suas alquimias gastrônomicas, o homens não hesitam em gastar desde R$ 200 num saca-rolhas para vinhos até R$ 6.000 num fogão importado. O homem é mais ousado, detona mesmo, gosta de coisas boas e caras. Não tem obrigação com a cozinha, faz por prazer, quando quer, e assim pode exercer toda a sua criatividade, diz Ricardo. Já a mulher foi ensinada dentro de regras certinhas passadas pela mãe e a avó, do caderninho de receitas. Ela não ousa, até porque vai para a cozinha há séculos com a preocupação trivial de alimentar a família com o básico e nutritivo. E a que trabalha fora tem que, no mínimo, pensar no cardápio e nas compras diárias. Mas quando se livra dessa carga e tem tempo para elaborar pratos especiais, a mulher é sensacional também na cozinha, argumenta Ricardo.
Ele que já preparou centenas de jantares, cria receitas e apresenta semanalmente um programa em que recebe convidados na Elgin Cozinhas/Bruschi, prepara agora o cardápio do bar Da Silva, que será aberto em Londrina neste mês pelo filho, Ricardo. Um prato cheio para dar continuidade às suas criações culinárias.


