Ilhéus - Cores, sabores, musas. Jorge Amado recheou a literatura nacional de belezas, exultou as qualidades e deu poesia às injustiças da primeira terra onde Cabral pisou, num descobrimento não só da Bahia - e de sua sociedade tão díspar e miscigenada -, mas da narrativa de quase um século de história política do Brasil. Este ano, mais precisamente no dia 10 de agosto, o escritor completaria 100 anos. E não vão faltar comemorações.
Das cerca de 40 obras de Jorge Amado, pelo menos 30 se passam em terras baianas. E ao andar pela capital Salvador, onde o autor passou a maior parte da vida, ou pela chamada Costa do Cacau (Ilhéus, Canavieiras, Itacaré, Una, Santa Luzia, Uruçuca e Itabuna, essa última, cidade natal do escritor), fica fácil se transportar para suas histórias, não só pelos cenários reais, mas pelo carinho (e marketing) dos locais para com Jorge. Não faltam botecos e restaurantes com menção a seus personagens.
Em Ilhéus, onde o escritor morou na infância e adolescência, cenário da obra mais famosa do chamado ciclo do cacau de Jorge Amado, tudo faz lembrar a morena Gabriela e os personagens do romance. Publicado em 1958, ''Gabriela, Cravo e Canela'' mistura fatos e personagens reais com a imaginação do autor no retrato sem pudores do conservadorismo dos coronéis, escancarando a hipocrisia da alta sociedade da época. Na ocasião do lançamento, o livro foi uma bomba na cidade, ainda comandada pelos coronéis do cacau, e o escritor foi declarado persona non grata. Mas é engraçado e encantador ver como, até hoje, a polêmica de seus livros e personagens estão vivos nas ruas da cidade. (A.D.)

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