Histórias que marcam
Mesmo prazeroso, o trabalho voluntário é um grande desafio para os jovens. De acordo com a integrante do SOS Alegria, Bruna de Moura, de 25 anos, ela e os outros oito integrantes fixos do grupo precisam além de muito carinho e paciência, de preparo emocional para lidar com os idosos dos vários asilos visitados. "Nosso trabalho é mais lúdico, para a distração deles, já que a maioria não é lúcida", explica Bruna. Porém, segundo ela, às vezes é preciso deixar a brincadeira de lado para conseguir conquistar a confiança dos idosos. "A maioria é sempre bastante receptiva, mas sempre há aqueles mais desconfiados. Lembro do caso de uma senhora que estava bem relutante, mas conversamos bastante com ela e no fim ela falou 'que bom que vocês vieram' e conseguimos até um abraço", relembra.
Enquanto algumas histórias chocam, outras levam os jovens à reflexão. "Em uma das últimas visitas, nos falaram que queriam abrir um lar somente para os idosos que estão lúcidos e os próprios velhinhos foram contra. Eles estavam preocupados sobre quem iria fechar o portão ou dar remédio para aqueles mais esquecidos", conta. "Mesmo debilitados eles pensam em ajudar o próximo", complementa Bruna.
Para a estudante de direito Laura Pedalino, de 23 anos, uma das experiências mais marcantes ocorreu durante o período em que acompanhava a mãe na Pastoral da Criança, aos 12 anos. "Estávamos acompanhando minha mãe quando chegamos em uma casa. Ela perguntou se a mãe das crianças sabia a idade de cada um dos filhos e ela disse que não. Quando minha mãe pegou a certidão de nascimento de uma das crianças, viu que era aniversário dela. Nós então cantamos parabéns, fizemos uma festa ali. Como eu sempre amei fazer aniversário, chego a contar os dias, aquilo me marcou muito", relata. (B.Q.)





