Histórias que emocionam
A primeira pessoa a reduzir o estômago em Londrina foi a advogada Ana Cristina Piaie de Oliveira Palma. Através do método Fobi-capella ela perdeu metade do peso entre 1999 e 2001. ''Nasci outra vez'', alegra-se a ex-gorda, que pesava 175 quilos.
A descoberta da cirurgia aconteceu por acaso, através de um programa de televisão. Depois da tortura de vários regimes, simpatias estrambólicas e oito passagens por um spa, ela estava quase conformada com o peso. ''Nunca fui magra, mas meu peso nunca passou dos 100 quilos. Comecei a engordar depois que meu filho nasceu. Comia muito, dia e noite, sem motivo algum'', explica.
Segundo ela, seu coração estava espremido pela gordura, faltava ar para caminhar e o joelho doía por qualquer esforço. Isso sem contar a dificuldade para fazer a higiene e o preconceito. ''Evitava sair na rua por causa dos olhares e comentários. Até comida pedíamos para entregar. Deixamos de viajar muitas vezes por causa do desconforto. Poucos lugares públicos preocupam-se em receber os obesos''.
A decisão de ser voluntária numa experiência inédita na cidade foi tranquila. Ana lembra que entre o primeiro contato com os médicos e a cirurgia passaram-se apenas 30 dias. Três meses depois, foi a vez do marido que, no começo, era contra a cirurgia. Hoje, eles fazem parte de um animado grupo de ex-gordinhos que se conheceram nas idas e vindas do Hospital Universitário.
A secretária Vânia Cristina Garcia orgulha-se de figurar entre os 30 primeiros operados. Assim como Ana, ela tentou emagrecer diversas vezes com pouco resultado. ''Fechei a boca, fiz ginástica, tomei remédios e até perdi peso, mas voltava a engordar em pouco tempo. Era desanimador sofrer tanto para perder gramas'', comenta. Dois anos depois da gastroplastia ela se diz muito feliz sua aparência. Nem os 13 quilos ganhos com um tratamento hormonal tiram o sorriso de seu rosto. ''Assim que puder, volto à academia'', diz a secretária, que voltou a sonhar com casamento e filhos.
Histórias como essas são comuns nos consultórios. Velazi diz que algumas delas chegam a emocionar. Ele cita o caso de uma mulher que deixava a filha na esquina da escola para fugir da chacota das crianças; um homem que sofria por não poder amarrar os sapatos; outros que precisavam da ajuda do cônjuge para se lavar e por aí vai. ''É maravilhoso ver a alegria com que eles retomam a vida. Participar desse milagre me dá muito prazer'', confessa Brito. (B.R.)





