No Dia Nacional de Prevenção e Combate a Hipertensão Arterial – 26 de abril – um alerta: a cada três minutos um brasileiro morre em decorrência de problemas cardíacos, e a maioria sofre de pressão alta. A questão se agrava ainda mais se for analisado que o grupo atingido pela hipertensão vem sendo ampliado, ano a ano – tanto no número de portadores como em sua faixa etária.
  Segundo o vice-diretor clínico do Hospital do Coração de Londrina, Antonio Nechar Júnior, hoje a doença não atinge apenas homens e mulheres com faixa etária acima dos 45/50 anos. ‘‘A hipertensão arterial está chegando às camadas mais jovens, com pacientes na faixa dos 20 anos. Isso em função do estresse do cotidiano e da competitividade instalada em todos os setores. Um jovem prestando vestibular, disputando uma vaga no mercado de trabalho, absorvendo responsabilidades cada vez maiores no dia-a-dia, todos estes fatores têm provocado mudança no quadro de fator de risco da hipertensão’’.
  Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a hipertensão atinge hoje 30% da população brasileira. E mais: das 300 mil pessoas que morrem anualmente no país em função de problemas cardiovasculares, metade sofre de pressão alta. A estimativa da instituição é de que 30 milhões de brasileiros tenham pressão alta e apenas 7,5 milhões estejam em tratamento.
  Antonio Nechar alerta para a importância da prevenção e controle da hipertensão, pois ao longo do tempo e sem os cuidados necessários, a doença aumenta o risco de problemas vasculares ligados ao cérebro e ao coração. E as medidas para a prevenção são simples. O diagnóstico da hipertensão é feito através da medida da pressão arterial, e uma vez constatado o problema, o paciente deve seguir as orientações médicas.
  Mas o cardiologista esclarece que uma única medição não serve de parâmetro.’’ Ela deve ser feita pelo menos três vezes ao dia, em horários alternados. Se esse método ainda não for suficiente para definir o quadro, o paciente deve fazer um monitoramento da pressão, com aparelho específico, por 24 horas, sempre acompanhado do cardiologista.’’
  A pressão acima de 13 por 9 já é considerada alta e merece investigação, lembra Nechar Júnior. Se comparadas às pessoas com pressão normal, as pessoas com hipertensão não controlada correm o risco três vezes maior de sofrer ataque cardíaco – o paciente pode sofrer angina, infarto ou ainda desenvolver uma insuficiência cardíaca. É importante salientar que ter pressão alta não é igual a ter problema de coração, mas pode ser o primeiro passo, por isso é fundamental o controle.
  O médico explica que os sintomas mais comuns apresentados nos consultórios são dor de cabeça muito forte, acompanhada de tonturas. ‘‘São fatores de risco, além da hereditariedade, a obesidade e a vida sedentária. De um modo geral, 80% dos casos de pressão alta estão relacionados ao modo de vida’’. O cardiologista alerta também para um outro fator de risco: na maioria das vezes, essa doença é traiçoeira, ela ataca devagar, sem sintomas. ‘‘Muitas vezes o primeiro sintoma já é fatal, e aí acontece a morte súbita, que hoje é a causa de morte de 40 mil pessoas por ano no Brasil’’.
  O tratamento da hipertensão pode ser medicamentoso, dependendo da avaliação clínica, mas é indispensável que o portador da doença mude seus hábitos de vida. De acordo com a orientação do cardiologista, a redução da ingestão de sal é a primeira medida. ‘‘Além disso, o paciente deve reduzir a ingestão de gorduras saturadas e aumentar a de frutas e verduras. Deve limitar o álcool e parar de fumar.’’
  Outra medida fundamental é a prática de exercícios físicos, que deve ser regular, se possível diária. Ainda com relação ao tratamento, outro fator relevante apontado pelo médico, é a seqüência do mesmo. Segundo estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a hipertensão se agrava porque muitos pacientes abandonam o tratamento assim que sentem melhora do quadro .


Quem está na mira

A chance de ter hipertensão arterial:

- É mais freqüente na raça negra
- Aumenta com a idade
- É mais comum em homens com até 50 anos e em mulheres depois dos 50
- Ocorre mais em diabéticos e em pessoas que já tiveram casos na família


O que é ?

  A hipertensão arterial (pressão alta que provoca o desgaste das paredes arteriais) é uma doença crônica degenerativa que pode desenvolver complicações como o acidente vascular cerebral (entupimento ou ruptura de uma artéria cerebral que causa uma necrose no cérebro semelhante ao infarto no coração), infarto do miocárdio (músculo cardíaco) e insuficiência cardíaca.

mockup