Para restabelecer o grau de umidade natural da pele e evitar o envelhecimento precoce, a receita é tomar muito líquido e optar por hidratantes com filtro solar
As marcas do verão na pele nem sempre são agradáveis aos olhos. A exposição frequente ao sol e a perda de líquidos podem comprometer o seu aspecto. O aviso não vai apenas para as adeptas do bronzeado, mas também para aquelas que querem (ou pelo menos tentam) manter o visual ‘‘branca de neve’’. A receita para combater os efeitos indesejáveis das altas temperaturas na pele é uma só: hidratação.
Para entender a importância desse cuidado básico basta saber que a pele contém aproximadamente 64% de água – o que corresponde a 9% do peso total do corpo. Essas proporções são distribuídas de forma variada, podendo oscilar entre 10% e 20% na camada superficial e chegar a 70% nas mais profundas. Toda essa água é responsável pela flexibilidade, maciez e elasticidade da epiderme, fatores que ajudam a combater o processo de envelhecimento. A ação diária dos agressores externos faz com que ela desidrate e descame, dificultando o transporte da água dos extratos externos para a superfície. Desidratada, a pele perde o viço e ganha, precocemente, aquelas rugas indesejáveis.
‘‘Diariamente, é preciso devolver para o organismo a quantidade de água que ele perde. Isso deve ser feito através da ingestão de líquidos e da aplicação de produtos de uso tópico’’, ensina a médica Maria Regina Corzânego do Amarante, especialista em medicina estética. Segundo ela, a regra é ingerir dois litros e meio de líquido por dia, o que não inclui apenas água. Nesta conta entram também suco, chá, leite e alimentos que contêm água, como verduras e frutas.
Reposição de líquidos Os produtos que chamamos de hidratantes, esclarece Maria Regina, nada mais fazem do que segurar o líquido na pele, mantendo sua camada de proteção, o manto lipídico. Isso acontece graças a ação dos princípios ativos presentes nas formulações, como ácido hialurônico, ceramidas, vitamina C, aloe vera e filtros solares. ‘‘As formas creme, líquida e gel dos hidratantes são apenas veículos que carregam estes princípios ativos’’, informa.
A necessidade de repor líquidos fica bem mais acentuada nessa época. ‘‘No calor, a situação é mais crítica. Perde-se água com mais facilidade porque além da exposição ao sol ser maior, transpiramos mais e respiramos mais rápido – mecanismos do organismo para manter a temperatura ideal do corpo’’, explica a médica. Até mesmo as peles oleosas precisam das fórmulas hidratantes, pois a produção excessiva de sebo não impede a perda da água. ‘‘Muitas vezes, encontramos peles oleosas totalmente desidratadas’’, avisa Maria Regina, observando que as pessoas costumam não saber definir o próprio tipo de pele, confundindo, por exemplo, pele desidratada com pele seca.
‘‘No consultório, usamos alguns ácidos para esfoliar a pele e avaliar o grau de hidratação’’, diz ela. É a forma mais correta de descobrir o tipo de pele e poder fazer a indicação dos produtos ideais para usar em casa, sobretudo para o rosto. De acordo com a médica, a pele normal perde menos líquido, portanto, os produtos não precisam ser tão rigorosos – hidratantes em forma de creme são ideais. Já a pele seca exige muito rigor na contenção de líquidos, pois envelhece com mais facilidade se não for bem hidratada. Para as oleosas, o melhor são os hidratantes em forma de gel.
Na hora da hidratação, é importante saber que as áreas de maior prioridade estão na seguinte ordem: região ao redor da boca e dos olhos, em seguida o rosto, o pescoço, e as mãos e por último o resto do corpo. Na área abaixo da pálpebra, o produto deve ser espalhado das têmporas em direção ao canto interno dos olhos. Na pálpebra superior, o movimento é contrário: do canto interno para as têmporas. Já no pescoço, os movimentos partem da base, junto aos ombros, até o queixo. As maçãs do rosto também devem ser massageadas de dentro para fora, e a testa, do centro em direção à linha do cabelo.
Receita caseira Maria Regina ressalta que para intensificar a ação do hidratante é fundamental usar esfoliantes que podem ser preparados em casa mesmo. Basta misturar açúcar e mel até obter uma consistência arenosa e passar uma vez por semana no corpo e de uma a duas vezes (peles oleosas e secas) por semana no rosto. A regra é espalhar o produto, esperar 10 minutos e em seguida ir para o banho. Para as que têm pele seca e oleosa, a médica recomenda optar por hidratantes que tenham em sua fórmula os chamados AHA – alfa hidroxi ácidos – que promovem uma leve descamação da pele, estimulando a renovação celular e facilitando a ação do produto.
Segundo a médica, atualmente a maioria dos bons cremes hidratantes, sobretudo para o rosto, vêm associados a filtros solares, fundamentais não apenas para proteger a pele do sol direto e de seus reflexos. Engana-se quem pensa que pode dispensar essa proteção porque passa a maior parte do tempo em locais fechados. Maria Regina adverte que a radiação proveniente do computador e das lâmpadas também é nociva. ‘‘Todas as áreas do corpo frequentemente mais expostas – rosto, pescoço, colo, braços e mãos – devem ser sempre protegidas’’, avisa, garantindo que o fator de proteção solar 15 é suficiente.
Maria Regina esclarece que não é necessário interromper o tratamento anti-envelhecimento durante o verão. ‘‘Pode-se continuar usando os produtos à noite, desde que se faça uso correto do filtro solar durante o dia, com aplicações a cada três horas’’, ensina, ressaltando que, com o protetor associado ao hidratante, fica mais fácil seguir essa frequência. Na hora de escolher os produtos, uma dica: ‘‘É importante dar ênfase aos nacionais, que são desenvolvidos com base nas condições climáticas e nos tipos de pele brasileiras. Os importados nem sempre trazem fórmulas adequadas às nossas necessidades’’, observa Maria Regina.

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