Heróis que divertem e educam
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Celso Mattos 
Mesmo aqueles que nunca tiveram o hábito de ler histórias em quadrinhos não podem ficar indiferentes ao seu misto de literatura, comunicação e artes plásticas. Com certeza, essa união de diferentes estilos é a grande responsável pelo sucesso que os gibis vêm fazendo há anos em todo o mundo. A criatividade dos textos e a riqueza dos desenhos têm conquistado crianças, adultos, educadores e também cineastas que, frequentemente, levam para o cinema personagens como X-Men, Homem Aranha, Superman, entre outros.
Mas as histórias em quadrinhos não despertam apenas o interesse das crianças e dos cineastas, educadores também são seduzidos por elas. Existem aqueles que vêem nessas revistas um importante instrumento didático. É o caso do jornalista José de Arimathéa Cordeiro Custódio, professor no curso de Comunicação Social da Unopar e mestre em Estudos da Linguagem.
Ele também cursou especialização em Metodologia da Ação Docente e, para conclusão do curso, José de Arimathéa pesquisou as histórias em quadrinhos. Essa pesquisa acabou se transformando no livro ''Educação? Este é um trabalho para o Super-Homem'', publicado pela Editora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ele começa desfazendo alguns mitos. O principal deles é o de que quem lê histórias em quadrinhos não lê outra coisa. ''Como as HQs usam muito a metalinguagem e lançam mão de personagens históricos, do teatro e da literatura, acabam despertando o interessa da criança para os textos clássicos''.
Temas atuais Ele ressalta também que as histórias em quadrinhos discutem questões atuais relacionadas à ecologia e à clonagem. ''Muitas vezes, elas antecipam essas discussões. A clonagem, por exemplo, foi tema das HQs bem antes do caso da ovelha Dolly'', recorda. O professor acrescenta que os gibis também fazem muitas referências aos personagens da mitologia grega e a obras clássicas. ''O livro 'O Capital' de Karl Marx foi adaptado para os quadrinhos. Portanto, é uma bobagem dizer que as HQs não não são educativas'', afirma.
Entretanto, Arimathéa observa que ao utilizar esse recurso em sala de aula como instrumento didático, o professor precisa saber como usá-lo, portanto, deve conhecer bem a linguagem dos quadrinhos para adotar a história certa para o assunto a ser debatido. ''Se a morte é tema de discussão, um bom recurso é o 'Penadinho', de Maurício de Souza, que tem uma abordagem interessante sobre isso''.
Em seu livro, José de Arimathéa afirma que as histórias em quadrinhos são tão ou mais ricas em conhecimentos e informação que qualquer outro recurso didático. Segundo ele, elas são talhadas para a educação, desde que usadas com critério e sem jamais pretender tomar o lugar do educador. ''A Mulher Maravilha deve sempre ser bem-vinda na sala de aula, mas apenas como professora convidada'', exemplifica. n


