Outro eco designer de destaque é Hugo França. Suas peças estão expostas em acervos permanentes de museus como o da Casa Brasileira, em São Paulo; o Centro Cultural Correios e o Museu do Açude, no Rio de Janeiro; e Inhotim Instituto Cultural, em Minas Gerais.

Foi observando os índios pataxó durante a criação de seus artefatos, em Trancoso, na Bahia, que esse gaúcho percebeu o grande desperdício na extração e uso da madeira. Sua primeira peça foi uma pia de baraúna esculpida a partir de um tronco, que virou objeto de desejo em São Paulo e, posteriormente, impulsionou o reconhecimento de seu trabalho.

"O que me inspira são as formas de cada resíduo que encontro, e interfiro o mínimo possível para que a memória de cada árvore permaneça. Não costumo fazer projetos antes de analisar a madeira com que vou trabalhar. A ideia do desenho surge a partir do material", explica.

Depois de retirada da mata, a peça é lavada, lixada e envernizada. Quase todo o trabalho é feito com o pequi vinagreiro, espécie que ocorre apenas na região da Mata Atlântica que fica entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo.

"A primeira característica que gosto de apontar sobre o pequi é sua longevidade. A árvore se torna adulta com 200 anos e pode viver até 1.200 anos, algo raro na natureza e também como matéria-prima. Lidar com esta madeira ancestral é um trabalho arqueológico para mim. Além disto, no universo de espécies de árvores da Mata Atlântica (temos em torno de 3 mil diferentes), o pequi apresenta uma mistura de características que o torna inútil para a movelaria tradicional: texturas, buracos, formas. E exige um manuseio muito específico; não é possível trabalhar com o pequi utilizando métodos tradicionais", explica.

França define suas peças como esculturas mobiliárias, pois são funcionais e casam com ambientes modernos. "São de longa durabilidade, costumo dizer que ficam na família por gerações, e podem ser expostas em ambientes internos e externos." (E.G)

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