A administradora de empresas e estudante de nutrição Natalia Mira de Assupção Werutsky sempre teve uma vida saudável. Aprendeu com a mãe a se alimentar adequadamente, evitando gorduras e doces, e praticava exercícios físicos regularmente. Tudo o que os médicos recomendam para manter a saúde e a boa forma fazia parte da rotina de Natalia.
Mesmo assim, ela não conseguiu escapar de uma doença que atinge cerca de 200 milhões de pessoas no mundo: a hepatite C. Causada por um vírus e transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, a hepatite C ataca o fígado e pode ser fatal em alguns casos, devido à cirrose e ao câncer de fígado decorrentes da doença.
Depois de perder muito peso e começar a perceber mudanças em seu organismo, como cansaço, náuseas, dores e inchaço nas juntas das mãos e pés, Natalia foi diagnosticada com o problema em fevereiro de 2003, após passar por vários especialistas e realizar diversos exames. ''No momento em que o médico me deu a notícia, o chão ruiu e senti como se estivesse flutuando. Eu não estava nem um pouco preparada para ouvir aquilo'', conta.
Passado o susto, ela decidiu entender a hepatite e descobriu que é possível conviver com a doença e levar uma vida normal. ''Li em um site que existe cura depois do tratamento e que a alimentação correta, aliada a exercícios físicos e manutenção do peso ideal, pode trazer melhorias significativas nos níveis das transaminases (enzimas que indicam o mau funcionamento do fígado), no dano hepático, na redução do nível de glicemia em jejum e na diminuição da progressão da doença. Estudos mostram que pacientes dentro do peso respondem melhor ao tratamento'', afirma. Tudo o que ela descobriu sobre a enfermidade está no livro 'Hepatite C, minha história de vida', da Editora M.Books.
Para entender melhor como a comida poderia ajudar na luta contra a hepatite C, Natália, que já cursava nutrição por causa dos vários problemas de peso e digestão que tinha, decidiu investir em um cardápio que mantivesse a doença sob controle. ''É importante haver harmonia entre a proporção dos macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) e dos micronutrientes (vitaminas e minerais). Além disso, o álcool e as gorduras saturadas deveriam ser abolidas da alimentação porque sobrecarregam o fígado'', explica.
Dividido nos grupos carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, líquidos e sal, álcool, chás e suplementos, o livro traz as principais fontes de cada alimento e sua função no organismo do portador da doença, além de uma lista de comidas recomendadas e desaconselhadas aos pacientes (veja box). ''Tudo o que comemos ou tomamos vai, de alguma forma, passar pelo fígado. Devemos tomar cuidado com o que ingerimos para não sobrecarregar suas funções de forma irresponsável'', aconselha.
De acordo com a autora, seguir a dieta correta não é difícil, uma vez que o organismo rejeita as substâncias que lhe fazem mal. ''Quando comecei a ter os primeiros sintomas de hepatite, antes mesmo de saber que estava doente, percebi que meu organismo passou a rejeitar alimentos mais gordurosos, frituras, preparados com farinha branca e carne vermelha e a preferir cada vez mais preparações mais leves, frutas, verduras e legumes'', conta.
Para ela, manter a saúde depende também da sensibilidade de cada um. ''Os alimentos podem ser prejudiciais. ''Preste atenção nos que fazem você sentir enjôos ou náuseas, ter problemas de digestão, diarréia, dores de cabeça, cansaço, irritação etc. Esses alimentos possivelmente estão maltratando seu fígado'', afirma.
Mesmo com uma alimentação mais restrita, Natalia garante que é possível levar uma vida normal. ''É possível sair com os amigos para jantar e comer normalmente. O problema muitas vezes não é a comida, mas a maneira como ela é feita. Eu me casei e agora estou pensando em ter um filho. Faço exames constantes para verificar como anda a doença e tenho muitos planos para o futuro. Com informação e conhecimento, encarar o problema fica muito mais fácil'', garante.

Saúde no prato
- Frutas frescas
- Vegetais refogados, assados, grelhados ou cozidos no vapor
- Grãos, cereais e pães integrais
- Carnes e peixes cozidos, grelhados ou assados
- Leites e derivados desnatados ou integrais
- Ovos cozidos
- Ervas como boldo-do-chile, alecrim, aloe vera, cardo mariano, pariparoba, picão-preto ou branco e aquinácia
- Geléias, mel e melado em vez de margarina e manteiga
- Sal com moderação
- Líquidos à vontade
- Chá preto, mate e café com moderação
- Fracionar as refeições (5 a 6 por dia)
- Comer em locais calmos e prestando atenção na comida
- Mastigar bem os alimentos

O que deve ficar de fora
- Carnes gordas
- Queijos gordos
- Creme de leite, maionese, molhos à base de gorduras
- Banha animal
- Frituras
- Doces concentrados
- Tudo o que provocar enjôo ou desconforto para o oraganismo
- Sedentarismo e estresse

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