Harmonia calculada
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quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Flores são elementos indispensáveis na decoração de qualquer casa, jardim, festa, casamento ou recepção. Seja em buquês, grandes arranjos ou sozinhas, elas encantam pelo perfume e pela beleza e variedade das formas e cores.
Na cultura japonesa, tão conhecida pelo culto ao belo e a manutenção de suas tradições, as flores ganharam a ajuda da matemática para criar o ikebana, técnica de organizar flores, galhos e arbustos de maneira harmônica e geometricamente calculada.
Em japonês, a palavra ikebana significa 'fazer arranjos', mas é preciso estudo e concentração para criar um vaso tipicamente japonês. ''A técnica tem mais de 500 anos e é muito popular no Japão. As crianças aprendem a fazer ikebana na escola e existem vários centros especializados em ensinar os muitos estilos existentes'', afirma a presidente da sucursal da escola Ohara Ryu, Asa Furukawa.
Para se ter uma idéia da complexidade, em um modelo simples, horizontal, o galho principal deve ser duas vezes menor que o comprimento do vaso e seu complemento precisa ter um terço de seu tamanho. ''A técnica serve para criar harmonia entre o vaso, os galhos, as folhas e as flores. Mas o sentimento colocado no arranjo vale muito'', revela a professora da escola Sanguetsu, Lucinéia Sakata.
''O objetivo principal do ikebana é levar paz e harmonia às pessoas. Com os arranjos, é possível unir a arte do homem com a arte de Deus'', lembra a professora Sissi Hassuda.
O tempo de curso para aprender o básico depende da dedicação e do talento de cada aluno, mas varia de dois meses a um ano. ''Qualquer pessoa pode fazeer ikebana. Tem gente que aprende rápido, outros demoram mais. Na verdade é uma técnica em que é necessário estudar sempre porque cada flor e cada galho é diferente do outro'', diz Luíza Kitanishi, da Ohara Ryu.
Serviço Escola Sanguetsu, fone (43) 3329-6498; Escola Ohara Ryu, fone (43) 3327-1793


