Dentro de pouco mais de dois meses entra em cena o ‘‘grande circo do vestibular’’. Como nas corridas de Fórmula 1, uma superestrutura é preparada para receber os vestibulandos e a cidade se envolve nessa corrida por uma vaga.
Nos meses e dias que antecedem os testes e nas datas das provas, elas, as mães, são figurinhas carimbadas: estão nos boxes, misturadas aos espectadores, no grid de largada, na bandeirada de chegada!
O coração das mães de vestibulandos corre sincronizado ao dos filhos e, velozes, sonham, já, com a formatura, o sucesso profissional! Ah, mas se não for dessa vez, lá estarão elas, incansáveis, preparadas para a próxima disputa!
Marcação ‘‘As conquistas dos filhos são a maior conquista de uma mãe e de um pai’’, observa Eliane Galli Reis, 36 anos, mãe de Gustavo, 19 anos, que tenta uma vaga no curso de Medicina, e de Leonardo, 16, cursando o ensino médio. Indeciso entre os cursos de Direito e Medicina, Leonardo vai fazer as provas ‘‘para ver como é.’’
Leonardo diz que já se acostumou ao ritmo intenso de estudos dentro de casa. Além de Gustavo, debruçado integralmente sobre as apostilas, a mãe acaba de iniciar o curso de Arquitetura, seu primeiro curso superior, depois de anos dedicados à família.
‘‘Ela não pega no p钒, diz Gustavo sobre as cobranças da mãe com os estudos. ‘‘Às vezes, me manda até parar de estudar’’, lembra. ‘‘Acho que sei cobrar’’, completa Eliane, comentando que acompanha de perto o estudo dos filhos desde a pré-escola.
Eliane conta que foi companheira de Gustavo em outros concursos vestibulares e deverá figurar mais uma vez na lista de inscritos para o curso de Estilismo em Moda, sua ‘‘grande paixão’’, no próximo vestibular de inverno. Mesmo sentindo-se ansiosa com a performance do filho, bem colocado em exames anteriores, Eliane diz que tenta tranquilizá-lo. ‘‘A ordem é não desanimar nunca, o exemplo está dentro de casa’’, ensina.
A ansiedade da mãe e vestibulanda pode ser medida através da correção das provas dos concursos passados. Gabarito liberado, lá estava Eliane conferindo o seu desempenho e o de Gustavo que, contudo, prefere saber da pontuação só depois do último dia de testes.
Esperando uma concorrência semelhante a que enfrentou em julho de 2000, quando 137 candidatos disputavam uma cadeira do curso de Medicina, Gustavo afirma que se não for aprovado ainda desta vez, vai continuar batalhando pela sonhada vaga. Confiante no desempenho do filho, Eliane deixa claro sua corujice: ‘‘Tô louca pra ver ele de branco!’’
Boa escolha Uma certa ansiedade camuflada parece ser mesmo a marca registrada das mães de vestibulandos. É o caso de Mônica Andrade, 36 anos, mãe de Patrícia, 17, filha única e que presta este ano o seu primeiro concurso. ‘‘Fico ansiosa, mas tento não passar para ela’’, comenta a mãe.
Como Patrícia ainda cursa o último ano do ensino médio, a cobrança pela aprovação não é tão enfática, a não ser quando as conversas via telefone com o namorado, também vestibulando, ficam muito demoradas: ‘‘Patrícia, sai do telefone, vai estudar’’, revela, imitando a filha.
Indecisa entre oito profissões, entre elas, Odontologia, Biomedicina e Direito, a escolha de Patrícia para o primeiro vestibular ainda é uma incógnita. Indefinição que Mônica acompanha na retaguarda. ‘‘Vejo que nesta idade eles estão ainda muito jovens para fazer escolhas’’, pondera.
Para Patrícia, a atitude da mãe tem dois aspectos: um positivo ‘‘porque ela não dá palpite’’; outro negativo, que a deixa um pouco insegura, ‘‘porque ela deixa a escolha na minha mão!’’ O desejo da mãe é que a filha ‘‘faça uma boa escolha, encontre uma profissão que goste, que tenha retorno e que se sinta feliz.’’
Nos dias das provas, a torcida de Mônica será a distância. O cronograma de provas da filha não inclui o plantão da mãe do lado de fora da sala. ‘‘Comigo perto ela vai se sentir pressionada e quero que ela esteja à vontade’’, observa. Segundo Patrícia, vestibulandos ‘‘não pagam mico’’ porque mães esperam do lado de fora das salas de exames. Aprova, contudo, a atitude de Mônica: ‘‘Não indo ela demonstra confiança e eu vou me sentir mais tranquila.’’

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