Com o início da globalização, na década de 90, as pessoas passaram a conhecer melhor a cultura, os produtos, a política e as pessoas de países muitas vezes localizados do outro lado do mundo. Com isso, falar inglês, considerada língua universal, se tornou fundamental. Em todas as escolas, o idioma já substituiu o francês há muito tempo e é ensinado desde as primeiras séries.
Mas com as exigências cada vez maiores do mercado, ter o domínio da língua da rainha não é mais um diferencial, é um requisito básico. E um terceiro idioma passa a ser importante para se destacar num mercado altamente competitivo. A mania agora é ''hablar'' espanhol, segunda língua mais falada do mundo. No Brasil, mais ainda, uma vez que todos os nossos vizinhos são 'hermanos' e o Mercosul continua como plano de governo para vários países.
Praticamente todos os centros de ensino de idiomas já oferecem espanhol, que começa a invadir as salas de aula de escolas regulares. No Colégio PGD, a disciplina faz parte do currículo desde a 3 série. ''Incluímos o espanhol em 2000 porque vimos a importância da língua'', diz a coordenadora do ensino fundamental da escola, Alessandra Aranda Nicolau.
''De acordo com a lei, a escola pode optar por uma língua estrangeira desde que esta tenha relação com o país por sua realidade geográfica. Pensando assim, o espanhol se encaixa perfeitamente ao Brasil e mais ainda aos estados do sul. Mas a maioria das instituições escolhe o inglês por sua universalidade e uso'', esclarece a professora do PGD, Paula Andréa Rodrigues.
O ensino do espanhol tem se fortalecido tanto que a língua passará a ser obrigatória nas escolas da rede pública de todo o País a partir de 2010 (veja box). ''Acredito que vai ser legal para as escolas públicas porque a maioria dos professores disponíveis é de profissionais que se formaram há pouco tempo e estão trazendo idéias novas, cheios de vontade de ensinar'', comenta Paula.
No PGD, as aulas acontecem duas vezes por semana e são obrigatórias, assim como o inglês, até o final do ensino fundamental. Quando chegam ao ensino médio, os alunos podem optar entre os dois idiomas. ''Trabalhamos da mesma maneira que as academias de línguas. Nossos alunos saem daqui aptos a realizar o teste de nível da Universidade de Cambridge para o inglês e queremos conseguir o certificado da Universidade de Salamanca para o espanhol. Durante o curso, eles são treinados nas quatro habilidades: falar, ouvir, escrever e ler'', garante Alessandra.
Mas ela revela que se engana quem imagina que aprender espanhol seja mais fácil do que inglês devido à proximidade com o português. ''Acho que é exatamente por isso que fica difícil. O aluno acaba confundindo as palavras. Acha que está falando espanhol e na verdade não está. Mas como é uma língua parecida, os alunos gostam mesmo assim'', diz.
Para quem acha que aprender dois idiomas ao mesmo tempo pode ser cansativo e causar confusão, Alessandra afirma que os estudantes dão, sim, conta do recado. ''Não devemos subestimar a capacidade das crianças e jovens. Se forem bem estimulados, eles se interessam e conseguem aprender tudo.''

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