Da cozinha ao banheiro, passando pelo escritório, os cômodos da casa escondem ameaças invisíveis. Fungos, bactérias e outros microorganismos, que podem ser prejudiciais à saúde, proliferam graças a hábitos errados. Para o biomédico Roberto Figueiredo, conhecido como ''Dr. Bactéria'' - com um quadro sobre o assunto no programa Fantástico, da Rede Globo -, a adoção de atitudes simples na limpeza da casa é suficiente para minimizar os riscos de contaminação doméstica.
O especialista esteve em Londrina, mês passado, a convite do Catuaí Shopping, onde realizou treinamento com os lojistas da Praça de Alimentação. Figueiredo presta serviços no laboratório de análises Microbiotécnica, de São Paulo, e também trabalha como consultor da All Shop, associação de lojistas de shoppings centers.
Ao contrário do que parece, o banheiro, segundo ele, é o local mais limpo da casa. ''É um ambiente higienizado com frequência e que está sempre cheiroso'', diz. Mas, como a prevenção é sempre o melhor remédio, ele faz algumas recomendações. A descarga, por exemplo, só deve ser acionada com a tampa do vaso sanitário fechada. É recomendável ainda trocar escovas de dente a cada três meses e, a cada uso, borrifar um enxaguatório bucal à base de clorenidine.
Na limpeza dos sanitários - e de outros cômodos da casa -, basta passar pano com detergente comum (oito gotas para cada litro), enxaguar com um pano úmido e finalizar com um pano embebido na solução de duas colheres de água sanitária para cada litro. ''Esse é o processo básico: lavar, enxaguar e desinfetar.''
Figueiredo alerta que o grande foco de contaminações está na cozinha. ''É nessa área que as pessoas recebem verduras, carnes e legumes, que chegam em casa cheios de microorganismos'', afirma.
Para garantir a assepsia, ele recomenda trocar a esponja da pia uma vez por semana e não usar utensílios de madeira. A geladeira deve ser limpa semanalmente e, na porta do eletrodoméstico, só devem ficar os produtos de baixa perecibilidade. ''Os ovos devem ser guardados dentro do refrigerador'', exemplifica. Panelas brilhantes oferecem riscos à saúde. ''O alumínio que se solta quando os utensílios são 'areados' podem causar problemas neurológicos'', adverte.
Os alimentos também exigem cuidados específicos. A fruteira é adequada apenas para as bananas, que escurecem quando expostas a baixas temperaturas. ''O restante das verduras, legumes e frutas fica dentro da geladeira'', orienta. Essa iniciativa melhora a preservação dos alimentos e minimiza a absorção de eventuais resíduos de agrotóxicos.
Por isso, os hortifrutis só devem ser higienizados depois de um período de repouso no refrigerador. O frio fecha os poros dos legumes e frutas e impede que agrotóxicos aplicados na superfície sejam absorvidos no momento da lavagem. Após a higienização em água corrente, Figueiredo recomenda mergulhar os alimentos por cinco minutos em água sanitária diluída (na proporção de uma colher de sopa para cada litro de água) para retirar possíveis bactérias. O processo encerra-se com um último enxágue.
Ele lembra que latas de refrigerante, caixas de leite e outras embalagens devem ser lavadas antes de ser guardadas. Outra recomendação é que produtos que sobram em recipientes metálicos, como molho de tomate e leite condensado, sejam removidos da embalagem original antes de armazenar. Descongelamento de alimentos só pode ser feito no microondas ou na geladeira. E uma vez descongelados, não devem retornar ao freezer, a não ser que tenham sido cozidos.
Apesar de tantas dicas, o especialista lembra que as bactérias fazem parte da vida e não podem ser totalmente eliminadas do cotidiano. ''Mas a mudança de hábitos é essencial para minimizar o risco de doenças.''

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