Há mais de 100 anos que a mulher busca seu espaço fora dos domínios do lar, onde ela reinava soberana sobre a educação dos filhos, a organização da casa e as refeições da família. Hoje, ela também brilha no mercado de trabalho, nos esportes e nos bancos escolares.
Pesquisas mostram que as mulheres já são maioria no ensino fundamental, no médio, na graduação, na pós-graduação e nos mestrados e doutorados. E não é só nos números que o sexo feminino parece subjugar o masculino. O senso comum diz que elas também são melhores alunas, mais dedicadas e comportadas. Mas será que realmente isso é verdade?
Segundo Geozani de Fátima Colonhesi, coordenadora pedagógica do Colégio Sesi, ligado ao Serviço Social da Indústria, quando o assunto é comportamento, a teoria não representa a prática. ''As meninas agem igual aos meninos hoje, se não até pior. Temos várias alunas que dão trabalho com mau comportamento dentro da escola'', garante.
A explicação para se acreditar que os meninos sejam mais bagunceiros talvez venha do fato de eles se exporem mais do que as meninas. ''As meninas sabem dar o que se espera delas mais rapidamente, é mais fácil para elas andar na linha. Mas isso tem seu lado ruim, pois apesar de atenderem melhor as expectativas, ousam menos do que os meninos'', afirma a pedagoga Daniela Auad, qeu acaba de lançar o livro ''Educar Meninos e Meninas'' (Editora Contexto).
''Os meninos são geralmente os primeiros a levantar a mão quando se faz uma pergunta dentro da sala. Mesmo que a menina saiba a resposta, ela hesita em se expor'', completa Geozani.
Outra idéia é que as meninas se saem melhor em matérias como português, língua estrangeira e história, enquanto os meninos dão um show em matemática, química e física. ''Nesse ponto, a diferença é sutil mas existe. As meninas têm mais facilidade em falar e escrever, enquanto que os meninos se destacam com os números'', diz a pedagoga do Sesi.
E essa diferença pode ser observada desde a infância. Segundo ela, as meninas são alfabetizadas mais rápido e os meninos ganham nos jogos de encaixe. ''As alunas são mais teóricas enquanto que os alunos preferem matérias práticas. Mas não acho que seja algo que deva interferir na maneira de ensinar. Tanto meninas quanto meninos conseguem aprender tudo o que quiserem. A questão é despertar neles e nelas o interesse pelo conhecimento, seja ele de qualquer área'', afirma.
A pedagoga lembra do risco de se rotular a capacidade de aprender com relação ao sexo de cada um. ''Isso pode arruinar com a vida de alguém. Se mulheres só servissem para escrever, não teríamos ótimas mecânicas e engenheiras. Assim como se os homens só servissem para fazer contas, não teríamos escritores fantásticos. A pessoa será boa naquilo que lhe desperta interesse e não naquilo que o seu sexo determina'', comenta.
Para ajudar os alunos, Geozani diz que as escolas devem ficar atentas aos problemas de cada aluno e perceber que muitas vezes o saber de um complementa o do outro. ''Nossos alunos são avaliados em grupo e individualmente. Não vejo problema em meninas e meninos se completarem porque quando eles se juntam as diferenças praticamente somem. A forma de avaliação atual é que mostra mais as deficiências e isso precisaria ser mudado. Meninos e meninas deveriam mostrar suas capacidades de diferentes maneiras'', finaliza.

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