Gravidez na teoria e na prática
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de março de 2013
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
A gravidez é um período marcado por expectativas, alegrias, descobertas e, claro, muitas dúvidas. Mas o que muda se a gestante for uma obstetra, que há anos acompanha gestações e realiza partos? O quanto a teoria pode ajudar ou atrapalhar quando a médica vira paciente?
Pensando nisso, a obstetra Naira Lopes Ramos, formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e que atua em Ariquemes (Rondônia), desde que decidiu engravidar começou a escrever um diário para relatar a sua experiência. E o que era para ser apenas anotações pessoais se transformou no livro ''Uma obstetra grávida: a teoria desafiando a prática'', que será lançado na próxima sexta-feira (dia 22) em Londrina.
Em entrevista à FOLHA, ela conta que quando tomou a decisão de engravidar se deu conta de que viveria uma experiência diferente das outras mulheres. Ela e o marido são médicos e acompanharam cada passo da gestação. ''Teoricamente sabia tudo o que se passaria comigo, mas queria saber as emoções que viveria estando grávida. Resolvi escrever para testar os meus conhecimentos e o resultado final foi tão satisfatório que não tive como deixá-lo guardado em uma gaveta'', revela.
Desafiar a teoria na prática, segundo ela, foi mais difícil do que imaginava. ''Na gestação somos mais emoção do que razão. A grávida é sensível e não teórica e eu, em muitos momentos, contradizia minhas teorias e colocava em prática apenas os meus sentimentos. Fui uma grávida como qualquer outra, fiquei neurótica, preocupada, ansiosa, discordei do meu médico e chorei muito quando não conseguia compreender o que eu tinha estudado tanto'', constata.
No decorrer do livro, em diversos momentos, ela faz um paralelo entre a Naira grávida e a Naira médica, mostrando os confrontos que foram surgindo nesse instigante diálogo. ''Quando eu estava sentindo as coisas, não conseguia compreender tão facilmente o que estava tão acostumada a explicar no consultório. Na teoria tudo é mais fácil. É simples explicar para as pacientes cada modificação fisiológica da gravidez, mas estando grávida percebi como é complicado sentir isso 'na pele''', destaca.
O momento de maior confronto, de acordo com ela, foi o parto. Ela, que sempre defendeu o parto normal e se preparou para isso durante toda a gestação, foi submetida a uma cesárea. ''Meu sonho era o parto natural e quando chegou minha vez fiz tudo diferente'', afirma.
Após o nascimento do seu filho Gabriel, em 2008, - 1 ano e 11 meses depois ela teve o seu segundo filho, Fernando -, ela admite que muita coisa mudou enquanto médica. ''Sou uma médica antes e outra depois da gestação. Tudo é diferente. Hoje consigo saber, mesmo quando elas não dizem, o que estão sentindo. Não me preocupo mais apenas com os sintomas físicos, entendo os conflitos e ansiedades que algumas vezes são até mais importantes do que todo o resto'', diz.
Para Naira, ser mãe é maravilhoso e estar grávida é fantástico. ''O problema, porém, é que todos esperam uma grávida 100% feliz e realizada e se esquecem que gerar uma vida traz muitos conflitos'', finaliza.
Serviço
''Uma obstetra grávida: a teoria desafiando a prática'' (editora Manole) será lançado no dia 22 de março, às 19h30, nas Livrarias Curitiba, no Shopping Catuaí, em Londrina.


