Gravidez e aborto
Gravidez e aborto
ReproduçãoSegundo a Organização Mundial de Saúde, a primeira relação sexual acontece nos seis primeiros meses de namoro, geralmente entre jovens de 15 a 17 anos
Segundo a médica Albertina Duarte, a estimativa é que 1 milhão de adolescentes engravidam por ano. Esse número corresponde a 20% do total de bebês nascidos vivos. A cada 100 mulheres que engravidam, 20 são adolescentes. Temos de contar também com os subregistros. No ano passado, 28.732 crianças nasceram de mães com idades entre 10 e 14 anos de idade em hospitais públicos do Brasil. Outro absurdo é que destes partos, 8.000 foram cesarianas.
Em 1986, foi criado o Programa de Saúde do Adolescente, atualmente presente em 104 postos em São Paulo, servindo de modelo para outros estados. Hoje, já está em execução no Maranhão, Ceará, Natal, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, Minas, Goiás, Brasília, Tocantins, Paraíba, Sergipe, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará e Piauí. Os profissionais fizeram cursos e treinamento patrocinados pela OMS e Organização Panamericana de Saúde (OPS), na Secretaria Estadual de Saúde. Até agora, em São Paulo, já foram atendidos 162 mil jovens, sendo 112 mil meninas e o restante meninos. O atendimento é gratuito. Como coordenadora do projeto - que ganhou um prêmio de referência, concedido pela OMS - já fui para Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile, México, Estados Unidos, Canadá, Cingapura e Portugal, a convite destes governos para divulgá-lo. O trabalho é visto como modelo de atendimento ao adolescente.
Gravidez precoce Os riscos da gravidez em adolescentes podem ser analisado sob três aspectos, segundo Albertina Duarte:
- Risco físico: eclâmpsia, hipertensão, hemorragias e infecções. Podem nascer crianças prematuras, com baixo peso, com risco de anemia infecções urinárias e de doenças sexualmente transmissíveis, por exemplo.
- Risco psicológico: rejeição e, principalmente, baixa auto-estima. A menina pode voltar a engravidar porque não aprende a lição, pelo contrário, fica mais fragilizada e vulnerável.
- Risco social: existe se a menina não estiver preparada para o mercado de trabalho e se não tiver condições de continuar os estudos. Tem, ainda, o problema da discriminação. E é difícil que um casamento entre adolescentes seja duradouro.
A ginecologista acrescenta que apesar de a sociedade e os pais estarem aceitando melhor a situação, a questão de culpa, no entanto, é diferente: a menina ainda é vista como a principal responsável.
Quanto ao aborto, ela diz que é difícil mencionar dados porque ele é clandestino. O adolescente tem dificuldade de fazê-lo porque é caro. Novos metódos estão sendo introduzidos no mercado clandestino, e o adolescente já tem acesso a eles. Este fato está sendo refletido no atendimento de urgência dos hospitais. A maioria dos jovens que toma remédio para abortar não imagina as consequências que ele pode causar. Um abortivo pode provocar desde hemorragias até a morte.





