Apesar das constantes campanhas sobre o uso de preservativos e da avalanche de informações sobre sexualidade atualmente disponibilizadas pela mídia, um dado estatístico preocupante se mantêm estável. Do total de grávidas em Londrina, no ano passado, 20% eram adolescentes. Esse percentual tem se repetido todos os anos, desde 1994, quando foi implantado na cidade o banco de dados do Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sinasc), um programa do Ministério da Saúde.
Há quem relacione o problema à erotização do cotidiano, causada pelos meios de comunicação de massa, sobretudo a televisão, que não tem pudores de mostrar corpos seminus em plena luz do dia para garantir a pole position na audiência. O fato é que nas últimas três gerações a idade média da primeira relação sexual das mulheres caiu cinco anos segundo pesquisa da Revista Veja: nos anos 70, a menina perdia a virgindade aos 20 anos; hoje, inicia sua vida sexual aos 15. Há registros, entretanto, de garotas grávidas com apenas 12 anos, ainda na pré-adolescência.
O resultado é assustador. De acordo com o Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, a gravidez é a quinta causa de morte no País entre as adolescentes. Não é para menos. Aos 12 anos, a menina, geralmente, tem a sua primeira menstruação. É quando o aparelho reprodutor feminino começa a se desenvolver. ‘‘Os óvulos já existem desde que ela nasceu, mas nesse período estão acordando, sendo recrutados para funcionar’’, diz o médico ginecologista Luiz Carlos Steffen. Segundo ele, o estrogênio, que então passa a ser liberado, é que vai proporcionar o desenvolvimento das mamas e do útero.
Steffen explica que a partir da primeira menstruação leva-se, em média, de dois a três anos para que haja o amadurecimento completo do aparelho reprodutor e a regularização do ciclo ovulatório. ‘‘Se ela engravidar nessa fase, vai haver maior taxa de abortamento. Caso a gravidez evolua, há um risco maior de pré-eclampsia (hipertensão na gravidez) e também uma maior incidência de desnutrição intra-útero’’, esclarece.
O médico observa que, atualmente, ao mesmo tempo em que se fala muito de sexo, existe muita informação sobre contracepção, ‘‘mas a adolescente que se entrega por amor não estava pensando nisso naquela hora. Aí vem a gravidez e a primeira coisa que vêm à sua cabeça é o aborto’’. É quando, geralmente, acontecem as maiores complicações médicas. Steffen alerta que o aborto criminoso, em que a curetagem é feita de maneira clandestina, por pessoas inaptas e destreinadas, pode causar infecções, obstrução das trompas (levando à esterilidade), hemorragia aguda (que pode levar à morte) e perfuração das alças intestinais, podendo ocasionar a perda do útero por conta das infecções graves e das hemorragias decorrentes.
A faixa etária ideal para a primeira gestação, do ponto de vista médico, segundo Steffen, é dos 20 aos 24 anos. ‘‘Mas gravidez aos 20 anos, no atual contexto social, não é bem-vinda. Na adolescência, então, é inconcebível. É um papel que nem a garota, nem a família e nem a sociedade planejaram para ela’’, observa. (R.V.)

mockup