''Eu sei que Picasso é um importante pintor do estilo cubista e sua obra mais famosa é o quadro Guernica, sobre a guerra civil espanhola''. A frase acima parece ter saído da boca de algum adulto que gosta de arte e entende um pouco de estilo e grandes obras, mas ela foi dita por Pedro Mestre Passini, 12 anos, aluno da 7 série do Instituto de Educação Infanto Juvenil de Londrina. E ele não é um caso à parte de adolescente que gosta de pintura. Conversando com outros alunos, é possível ouvir nomes desconhecidos do grande público e ter uma verdadeira aula de arte.
Isso porque a escola, que funciona no sistema de cooperativa de pais, há dois anos tem um programa que traz exposições de artistas nacionais e da região para dentro dos corredores escolares e leva os alunos a ateliês e a conversas com os artistas. O criador do projeto e professor de artes, Claudinnei Rodrigues, diz que a intenção é criar nos alunos a apreciação da arte e o conhecimento da individualidade de cada artista. ''Queremos sair do processo técnico da escola e mostrar a criatividade que cada um usa na escolha de materiais e na forma do trabalho'', afirma. Com a proximidade das obras regionais, fica mais fácil entender e admirar o trabalho de grandes artistas mundiais.
Liberdade para tocar A artista plástica Yoshiya Nakagawara foi uma das que receberam a visita dos alunos em seu ateliê e acredita que o contato dos pequenos com a arte é importante para o crescimento interior das crianças. ''Aqui é um espaço lúdico onde elas descobrem formas diferentes de arte. Crianças são muito curiosas e o ateliê é um lugar instigante para elas. Acho a idéia muita válida'', comenta. Em seu ateliê, os alunos podem tocar nas obras expostas e sentir a emoção da arte. ''Essa coisa de museu, que não pode pôr a mão, eu não concordo. Eles respeitam as obras e eu nunca tive problemas com nenhum aluno, mesmo os menores. Todo artista deveria abrir espaço para as crianças'', acrescenta.
A possibilidade de mexer nas pinturas e esculturas parece funcionar bem com os alunos. Alana Serra Brandão, 7 anos, esteve no ateliê e adorou poder tocar na sua obra favorita. ''Gostei dessa porque é bonita, tem um monte de pecinhas com desenhos de números, carinhas. Aqui é legal porque a gente pode pegar as coisas. Eu queria ser pintora, mas parece difícil, prefiro ficar olhando'', diz. Já a aluna da 3 série, Julia Périgo Lara, 9 anos, garantiu que faz pinturas com pincel e lápis em casa e vê a importância de ir às exposições. ''Desse jeito, a gente aprende mais porque está vendo de verdade as coisas. Meu favorito foi o quadro que tem uma colagem porque é diferente'', afirma. O comentário simples das crianças é o que mais agrada a dona das obras. ''O adulto vem querendo saber da técnica usada. A criança está preocupada com a emoção, ela gosta porque gosta, não porque a técnica é difícil ou inovadora'', completa Yoshiya.
Outra visão Antes das visitas, o professor passa algumas informações sobre o artista e sua obra para os alunos e depois eles debatem as obras vistas. Rodrigues garante que alguns alunos estão desenhando e pintando melhor depois que o projeto começou. ''Eles passam a ter uma outra visão sobre o real e o imaginário. Alguns já conseguem até reconhecer obras de determinados artistas e comparar umas com as outras'', afirma.
Agora, o grande acontecimento deste ano é mesmo uma visita à exposição das obras de Picasso, em São Paulo. A aluna da 8 série, Isabella Satin, 14 anos, se diz uma fã do pintor francês Toulouse-Lautrec, mas está ansiosa para conhecer mais sobre Picasso. ''Estamos fazendo um trabalho sobre o quadro Guernica e vai ser legal visitar a exposição dele. Observar as obras e interpretá-las é o que eu gosto de fazer, mesmo que minha interpretação seja diferente da do autor'', revela.

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