Glamour em miniatura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de dezembro de 2000
Rosângela Vale 
A situação é das mais comuns. Depois de escolher a cor, o tecido e todos os detalhes do vestido pois tudo parecia perfeito no croqui vem a grande decepção. No corpo, o modelo em nada lembra aquela obra-prima sugerida no papel. O jeito é mudar tudo e correr o risco de que o estrago fique ainda maior ou tentar resolver o problema na loja mais próxima, reservando àquele indesejável modelito o fundo do guarda-roupa. E gastando mais do que havia sido planejado. Histórias desse tipo justificam a insegurança de muitas mulheres diante da necessidade de uma roupa sob medida. Se o momento em questão for a escolha do vestido de casamento, a coisa fica ainda pior.
Ao detectar esse comportamento no mercado, a estilista Fátima Prado, do ateliê Dora Dellis, teve a idéia: transformar os traços do croqui em algo tridimensional, que pudesse ser visto em ângulos diferentes, dando a noção exata do resultado final. Comecei a pensar no que poderia fazer para que a cliente soubesse exatamente o que estava comprando, conta ela, que encontrou nas miniaturas a resposta para o problema.
Desde então, Fátima inaugurou uma nova forma de atendimento. Depois da conversa inicial, onde expõe suas preferências, a cliente volta ao ateliê e encontra o modelo pronto, com todos os detalhes combinados, só que em proporções menores. É uma forma de visualizar o todo: o design da roupa, cores, detalhes, bordados, justifica. A estilista conta que levou um tempo para encontrar a boneca ideal, com cara de mulher e um cabelo moldável, mas assim que apresentou a idéia, teve aprovação imediata. A partir da versão reduzida, é possível, então, fazer as modificações desejadas, evitando contratempos e gastos extras. Mudar o modelo pronto encareceria o produto, observa Fátima, que só faz esse tipo de trabalho para roupas mais caras e elaboradas.
A estilista garante que o cliente não paga por esse diferencial no atendimento, já que são usados retalhos para fazer as roupas das bonecas. Segundo ela, além de garantir a aprovação do próprio modelo, a noiva tem ainda a possibilidade de visualizar os vestidos das madrinhas no altar, e também se a roupa da daminha vai combinar com a dela. Com formação técnica no Senai, em São Paulo, e experiência de 10 anos no ramo de confecção, mais especificamente no setor de modinha, Fátima revela que sempre teve planos de atuar na área de criação. A idéia se concretizou há apenas três meses, mas a estilista já aprendeu a primeira lição de sobrevivência no métier: criatividade.


