Glamour e história
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quinta-feira, 07 de junho de 2001
Rosângela Vale Enviada Especial 
O tapete vermelho na entrada da Estação Júlio Prestes anunciava aos que passavam pelo centro de São Paulo que a noite era de gala. E apesar de exigências desse tipo não combinarem com o povo de moda que acaba interpretando à sua maneira o dress code, como Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo, de jeans rasgado, escarpim e gravata borboleta displicentemente aberta sobre a camisa branca o clima de pompa e circunstância deu o tom ao 2º Prêmio AbitFashion Brasil, que aconteceu na última segunda-feira.
Na platéia, políticos como José Jenuíno, Sarney Filho, Geraldo Alckman, Paulo Delgado, Edson Lobão e Walter Feldman dividiam a cena com empresários, modelos, estilistas, fotógrafos, maquiadores, jornalistas e colunáveis. No palco, a cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores das 24 categorias (leia box) foi pontuada por cenas de clássicos do Estudio Vera Cruz, estrelados pelas então iniciantes Tônia Carrero e Maria Della Costa e dirigidos pelo grande homenageado da noite, o jornalista Fernando de Barros.
O apelo histórico não poderia ser mais adequado à festa, já que o Prêmio é um reconhecimento ao esforço de todos os elos que compõem a engrenagem da moda brasileira e contribuem para o seu desenvolvimento. Diante das agruras do Brasil colônia, os números da indústria têxtil nacional são mais do que animadores: no últimos oito anos, foram investidos mais US$ 7 bilhões, e só no ano passado, as exportações somaram US$ 1,22 bilhão. Juntando a isso a visibilidade que estilistas e modelos brasileiros ganharam no exterior, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) não hesitou em afirmar, em frase exibida no grande telão, que no último século o Brasil recuperou o tempo perdido.
No seu discurso de agradecimento pelo prêmio o mais longo da noite, já que a maioria se limitou a um obrigado , a jornalista Érika Palomino chamou o público à realidade, lembrando que a moda brasileira está apenas começando. Também alertou para a necessidade de manter os pés no chão para que esse processo de amadurecimento tenha continuidade.
O momento de glamour extra ficou por conta do desfile que homenageou os grandes nomes da elite fashion nacional de diferentes épocas. Descendo por duas grandes escadas, tops como Mariana Weickert, Ana Hickman, Luciana Curtis, Marcelle Bittar, Vanessa Greca e a londrinense Michele Alves mostraram criações de Denner, Conrado Segreto, Zuzu Angel, Guilherme Guimarães e José Nunes, entre outros. No grand finale, Shirley Mallmann e Mila Moreira, vestidas por Clodovil, entraram juntas, representando o passado e o presente da moda brasileira. Tudo devidamente embalado pela voz poderosa de Elza Soares.
No encerramento da cerimônia, Paulo Borges convidou o jornalista Fernando de Barros, 82 anos, um dos pioneiros da imprensa de moda brasileira, a subir ao palco para receber os cumprimentos dos participantes e ser aplaudido de pé pela platéia. Sou uma velha peça de uma engrenagem que deu certo, disse o homenageado.
A jornalista Rosângela Vale viajou à convite da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).


