Fotos: Josué de Carvalho; Modelo: Acílio Cararo NetoCross Crawl (engatinhar) é um dos exercícios mais importantes, além de melhorar o humor, ajuda a falar e ouvir claramenteGinástica
cerebral
Geralmente indicados para problemas de memória, aprendizagem e concentração, os exercícios unem e estimulam os dois hemisférios cerebrais
Jossânia Navolar
Memória ‘‘fraca’’, falta de organização nas idéias, dificuldade de concentração, problemas quanto à expressão. Dificuldades desse gênero, não há quem não sofra, pelo menos uma vez ou outra. A explicação vai do puro stress a deficiências particulares, muitas vezes consideradas inatas, ou originárias de alguma patologia. O que acaba por atrapalhar o dia-a-dia de quem sofre esses problemas. Segundo o engenheiro químico Carlos Maurício Prado, professor de ginástica cerebral, muitos deles podem ser resolvidos ou, pelo menos, atenuados com a prática de exercícios específicos que têm por objetivo unir os dois hemisférios cerebrais, aumentando a capacidade do próprio cérebro.
Pontos positivos: para leituras, provas ou palestras (ver explicação do exercício no box)Ele explica que os exercícios propostos pelo educador indiano Paul Dennison, radicado nos Estados Unidos, funcionam como uma ferramenta prática, estimulando a criatividade e aumentando a capacidade de memória, aprendizagem, organização e execução de projetos e concentração, entre outros. ‘‘O método que une conhecimentos da medicina oriental (acupuntura, tai chi chuan) com a pesquisa cerebral aplicada, desenvolvida nas universidades ocidentais, é composto por 32 exercícios’’, diz o professor.
Direcionado ao desenvolvimento de habilidades de leitura, de raciocínio, de redação, de autoconhecimento, de estudo e de ecologia pessoal (equilíbrio e energia), o Brain Gym (ou ginástica cerebral), é formado por movimentos agradáveis, que chegam a ser tão simples que parecem uma gostosa brincadeira de criança.Dorico da SilvaSegundo o professor Carlos Maurício Prado, a ginástica une conhecimentos da medicina oriental com os da pesquisa cerebral aplicada
Produtividade O método tem mais de 30 anos. Nos Estados Unidos e no Norte da Europa, é usado em larga escala. Na Dinamarca, por exemplo, faz parte do currículo oficial das escolas, pelo fato de colaborar para um melhor desempenho do aluno. No Brasil, a ginástica cerebral é conhecida há apenas seis meses, mas já conta com muitos adeptos. Em Brasília e Porto Alegre, algumas empresas e escolas resolveram adotar o método para aliviar o stress e aumentar a produtividade de seus funcionários e alunos. Em Londrina, já houve duas palestras sobre o assunto. Uma no Hotel Sumatra, aberta ao público em geral; outra no Banestado, específica para os funcionários daquele estabelecimento.
A idéia, segundo Prado, é divulgar a ginástica cerebral para que ela possa ser usada amplamente por professores, empresários, psicólogos e terapeutas diversos, colaborando inclusive como auxiliar de tratamentos em crianças deficientes.
Pesquisas nos Estados Unidos mostraram a eficácia do método, inclusive, como apoio à recuperação de presidiários, reintegrando-os à sociedade. A explicação para isso é interessante. A parte primitiva do cérebro, a que existe desde o tempo do homem da caverna, é a que fica na parte detrás, perto da nuca (região do cerebelo), já a parte frontal é mais recente e menos desenvolvida. As pesquisas em torno do cérebro apontam que, pessoas extremamente agressivas e anti-sociais, têm uma tendência a utilizar mais a parte posterior, concentrando energia ali. Os exercícios possibilitariam uma integração de todas as partes, estimulando as menos desenvolvidas.
Por isso, cada movimento tem uma razão de ser. O exercício Cross Crowl (engatinhar), é considerado importante porque ajuda a integração corpo e mente, fundamental para o desenvolvimento de habilidades. Só para se ter uma idéia, ao se observar um grupo de crianças gagas, constatou-se que todas elas não haviam engatinhado satisfatoriamente na fase própria. O exercício foi então indicado e, após um certo período, as crianças conseguiram obter uma fala nítida.
Muita água Prado explica que não há nada de milagroso nisso, é apenas a constatação da interação entre corpo e mente. Algumas habilidades motoras estão relacionadas também a determinadas capacidades mentais. A união do hemisfério esquerdo com o direito permite ao ser humano utilizar de forma mais efetiva os seus potenciais. Já que o hemisfério esquerdo é verbal, analítico, simbólico, abstrato, temporal, racional, digital, lógico e linear. E o direito é não-verbal, sintético, concreto, análogo, não-temporal, não-racional, espacial, intuitivo e holístico.
Segundo o professor, os exercícios passam por quatro etapas, visando o bem-estar e melhor rendimento. As etapas são divididas em positivo (humor), ativo (ajuda a vencer medos e depressões), claro (aumenta a clareza de raciocínio) e energético (relaxamento e vitalização). Porém, ele alerta que há duas atitudes a ser assumidas junto com o exercício: tomar água (pelo menos 10 copos ou dois litros por dia) e respiração completa, sempre que puder ser realizada.
Ele explica que o cérebro precisa de água para fazer as ligações entre os neurônios. ‘‘A capacidade cerebral pode ser avaliada pelas ramificações entre os neurônios, quanto mais ramificações entre eles, melhor. A água, a respiração e os exercícios tem por objetivo essas ligações’’, diz.

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