Depois de muitos mitos quebrados sobre o vegetarianismo, aindam restam dúvidas e preocupações que rondam o assunto, especialmente se o adepto desse tipo de alimentação for do sexo feminino, devido ao fantasma da anemia, ou se a mulher estiver em período de gestação.
Mas para Luciana de Oliveira Carbonieri, de 30 anos, grávida de dois meses e lacto-vegetariana (não consome carnes e ovos, apenas leite e derivados) há dez anos, esses temores passam longe de seus pensamentos. A médica obstetra que a acompanha desde o início da gestação já assegurou que ela não vai precisar mudar a alimentação. ''Sei que alguns médicos têm preconceito com gestantes vegetarianas, mas a minha médica me passou muita confiança'', conta.
Assim como grande parte dos vegetarianos (aqueles que não consomem carnes), Luciana e seu marido, Alexandre Carbonieri, decidiram seguir a alimentação. A mudança, para ela, veio pela conscientização e sem grandes sofrimentos. ''Mudei do dia para noite, não sofri. Não sinto vontade de comer carne, e descobri que sou alérgica a ovos'', relata.
Sua dieta é basicamente composta de arroz, feijão, carne de soja, massas, soja em grãos (para saladas), nuggets de soja, verduras, legumes, frutas e tofu defumado. Outras opções de alimentos mais calóricos são reservadas para as 'noites junckies', em jantares com os amigos do casal. ''Fazemos pizza, lasanha, coxinhas. Já existem hambúrgueres e salsichas de soja, além de três restaurantes vegetarianos na cidade'', comemora a futura mamãe.
O único complemento receitado pela médica de Luciana é o ácido fólico. A reposição de ferro e de vitamina B12 é recomendada para gestantes vegetarianas, aponta o ginecologista e obstetra Evaldir Bordin Filho. ''É a principal recomendação nesses casos. Outra questão importante é o consumo de leite devido ao cálcio, importante para a formação óssea do bebê'', frisa.
O médico explica que não só a gestante vegetariana como todas as futuras mamães podem apresentar anemia por volta da 19 ou 20 semana de gestação, pois a reserva de ferro vai ser transferida para o bebê a partir daí, além das perdas de sangue que ocorrerão durante o parto, seja normal ou cesárea.
Outra informação lembrada pelo ginecologista diz respeito a estudos que compararam gestantes que consomem carne e as vegetarianas. ''O resultado das pesquisas revelou que as mães vegetarianas não apresentaram maior ganho de peso nem diminuição de peso das crianças'', acrescenta.

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